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“01, 02, 03, 04… 1964” – Por Marcelo Uchôa

Marcelo Uchôa é advogado e escritor

Com o título “01, 02, 03, 04… 1964”, eis artigo de Marcelo Uchôa, que aborda este 31 de março, data do golpe militar de 1964. “Que este 31 de março, dia que rememora a passagem do golpe de 1964, sirva para refletir sobre que Brasil se quer consolidar”, expõe o articulista

Confira:

Nesta semana, pesquisas eleitorais presidenciais demonstraram que a corrida à cadeira mais importante da República, em 2026, tende a polarizar. De um lado, o presidente Lula com seu projeto de defesa da soberania nacional, de distribuição social da riqueza e sua proposta civilizatória; do outro, o filho que não tem nome, o 01 e sua promessa de, eleito, anistiar, indultar, enfim, isentar de punição os bandidos que atentaram contra a democracia do país, em 8 de janeiro de 2023, especialmente seu pai, o ex-presidente que hoje goza do benefício extraordinário de uma prisão domiciliar humanitária, que a ninguém mais no país seria concedida, exceto a ele, que, mesmo após condenado, crê estar sendo injustiçado por ser punido como qualquer outro que cometesse os mesmos crimes.

É a recordação do que aconteceu no final da ditadura de 1964, quando os abutres que praticaram crimes contra o Estado
Democrático de Direito, a dignidade da pessoa humana, o orçamento público e as liberdades civis e políticas em geral, foram beneficiados pela Lei de Anistia de 1979, jamais pagando pelas atrocidades cometidas, comprovando o ditado “crime não punido é crime repetido”.

Eis o cenário de 2026. A continuidade da reconstrução nacional ou o retorno à barbárie. Será que a história nada ensinou ao país? A não punição da ditadura de 1964 resultou na tentativa de golpe em 2023 e a impunidade em 2023 resultará na mesma agonia no futuro.

Oito anos atrás, um candidato que se dizia mito, sem nenhuma plataforma de governo, se elegeu, e deu no que deu: mais de 700.000 mortes na pandemia e uma tentativa de golpe de estado. Agora, é um número qualquer que se apresenta candidato, sem nenhuma proposta, exceto aplicar impunidade.

Que este 31 de março, dia que rememora a passagem do golpe de 1964, sirva para refletir sobre que Brasil se quer consolidar. Desafios internos à parte, o mundo está à beira do abismo. Nem os mais otimistas especialistas em geopolítica escondem a possibilidade real de uma nova grande guerra. Que papel o próximo presidente brasileiro terá nos anos vindouros: um estadista com habilidade para interceder no apaziguamento dos ânimos ou um zero-algo imprestável que só servirá para soltar o seu bandido de estimação, e, a exemplo deste, prestar continência para a bandeira do megalomaníaco que quer mandar no mundo, entregando, doravante, o espaço nacional para suas instalações militares, como o que já acordou Santiago Peña, no Paraguai, e pretende fazer Milei, na Argentina? Não. Entreguismo nunca mais. Vassalagem nunca mais.

Ditadura nunca mais!

*Marcelo Uchôa

Advogado, professor e conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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