Com o título “Mudanças climáticas”, eis artigo de Fátima Vilanova, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará. “O momento é, pois, de emergência, de mobilização de toda a sociedade, no sentido de cobrar ações efetivas do Poder Público para a minimização dos efeitos das mudanças climáticas”, expõe o articulista..
Confira:
As mudanças climáticas demandam ser enfrentadas no Brasil com urgência, utilizando-se todo o conhecimento disponibilizado pela ciência. Negar os efeitos das mudanças climáticas é criminoso, porque atenta contra a vida dos humanos e dos demais seres vivos. A produção de alimentos é impactada pelos eventos extremos, das elevadas temperaturas, secas, temporais, geadas, ciclones, que afetam a germinação de sementes e crescimento das lavouras, gerando escassez de alimentos, aumento dos preços e inflação.
A elevação da temperatura dos oceanos favorece a produção de ciclones, resultando em ressacas, e no avanço do mar sobre o litoral, com destruição de mangues, que são berçários naturais das espécies marinhas, resultando na queda da produção pesqueira. O momento é, pois, de emergência, de mobilização de toda a sociedade, no sentido de cobrar ações efetivas do Poder Público para a minimização dos efeitos das mudanças climáticas.
É possível fazer muito e já, combatendo-se o desmatamento ilegal, que deve ser zerado, reflorestando as áreas degradadas, embargando propriedades que desmatam ilegalmente, recuperando as matas ciliares de mananciais e nascentes, promovendo-se a economia circular, em que os descartes voltam ao ciclo da produção, e apoiando os sistemas agroflorestais. E mais, é preciso dar a destinação correta do lixo, com implantação de usinas de produção de biometano, como fonte de energia para a indústria, agronegócio, transporte público e de carga, e produção de fertilizantes orgânicos.
As providências enunciadas já deveriam estar em execução nos 5.570 municípios brasileiros, com os governos municipais, estaduais e federal, na coordenação das ações, incentivando, monitorando, fiscalizando, cobrando resultados. Para tanto, os órgãos de meio ambiente das três instâncias de governo, com o IBAMA no âmbito federal, devem investir na educação ambiental, a partir das escolas públicas e privadas, com campanhas educativas de amplo alcance, com os governos modernizando os órgãos, dotando-os de pessoal técnico qualificado, em número suficiente para suas ações de fiscalização. Neste tocante, a área de apoio ao meio ambiente da Polícia Federal, igualmente, deve receber investimentos para dispor de meios ao enfrentamento dos crimes ambientais.
Outra urgência, neste leque de ações propostas, é a redução do lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera, provenientes de veículos movidos gasolina e diesel, substituindo-se a matriz energética do petróleo por de energias alternativas, como a de biometano, a partir do lixo urbano e industrial. O incentivo à produção e importação de veículos elétricos, e placas solares, e instalações de recarga de baterias, com redução de impostos, também são imperiosos.
Até que se mude a matriz energética, o trabalho remoto, home Office, deve ser massificado, onde for possível, ou de forma híbrida, visando a promover a limpeza e resfriamento do ar, pela redução dos gases de efeito estufa lançados na atmosfera, propiciando melhor qualidade de vida para quem produz e para quem acessa os serviços.
Introduzir o atendimento online, em tudo que for possível, na máquina pública conferirá maior conforto, comodidade e saúde para funcionários e população, além de reduzir custos.
O desafio do enfrentamento das mudanças climáticas é, acima de tudo, político, de decisão política. O que tem que ser feito exige união de esforços de políticos, gestores públicos, iniciativa privada, e sociedade. O resultado da inação não será benéfico para ninguém.
Fátima Vilanova é Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e autora do livro: “Está tudo errado…” (Disponível na Amazon).
Você pode me acompanhar no programa Democracia Radical, e participar do Movimento pela Moralização da Política, acessando os perfis: @fatimavilanova6810, @josemariaphilomeno