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“Guerra Nuclear e Aquecimento Global: As duas grandes ameaças da humanidade”

Dalton Rosadso é advogsdo. Foto: Divulgação

Com o título “Guerra Nuclear e Aquecimento Global: As duas grandes ameaças da humanidade”, eis artigo de Dalton Rosado, advogado e escritor.

Confira:

“Temos potencial nuclear de destruição da civilização. A Rússia está preparada para a guerra nuclear.”

Vladimir Putin, no discurso anual do Congresso da Rússia

Leio no noticiário internacional: Putin ordena exercícios nucleares com tropas perto da Ucrânia; ocidente condena nova “ameaça nuclear” da Rússia; Rússia ameaça bombardear militares britânicos na Ucrânia e aumenta a tensão; e por aí vai…

A hecatombe nuclear mundial já é possível de ocorrer e infelizmente está à mão de tiranos governamentais.

Ligo a televisão e vejo em tempo real o maior desastre natural da história do Rio Grande do Sul, com centenas de mortes e desaparecidos em face de uma submersão de parte do Estado gaúcho sob tempestades de vento e inundações nunca antes experimentadas.

O aquecimento global, causado principalmente pelos Estados Unidos e China, locomotivas do capitalismo mundial pela emissão incontrolável de gás carbônico na atmosfera que produz o efeito estufa retendo os raios solares, já toma ares de irreversibilidade, segundo os cientistas.

Na Rua onde moro, ou em qualquer local da cidade, ou de qualquer outra cidade do Brasil, não se pode sair a pé com um celular porque se tem o risco de se ser roubado, e quase todas as pessoas têm histórias de assalto ou tentativa de tal violência para contar, etc., etc., etc.
Segundo dados das FAO, Food and Agliculture Organization (na sigla em inglês), organismo da ONU encarregado da avaliação sobre a questão alimentar, observa-se o aumento da fome mundo afora, e mais de 700 milhões de pessoas (cerca de 10% da população mundial), tem subnutrição alimentar crônica, mesmo com todo o desenvolvimento da engenharia agrícola.
Vários fatores contribuem para o aumento da fome no mundo, por conta da concentração absurda da riqueza abstrata e da terra agricultável; desertificação pela escassez de água; produção voltada para a exportação para quem pode comprar (o Brasil é o segundo maior produtor de alimentos no mundo e seu povo passa fome); e do uso de equipamentos em substituição preponderante ao trabalho abstrato, contradição capitalista basilar.

Recentemente formos vítimas de uma epidemia devastadora, do vírus covid19 que causou a morte de cerca de sete milhões de pessoas num processo de propagação mundial acelerado, reeditando em menor parte a peste bubônica do século XIV, e no qual o Brasil foi o infeliz campeão na estatística de mortos por habitantes.

Sob pretexto de combate ao grupo Hamas, o governo sionista de Israel empreende um genocídio aos palestinos indefesos com mortes e provocando uma diáspora destes mundo afora, reeditando a própria história de que os judeus foram vítimas, numa prova atual da desarmonia de convivência humana.

Ao ficarmos indiferentes às causas de tudo isto somos todos negacionistas???

Por que, em plena terceira década do século vinte e um, era da tecnologia de ponta e ganhos inimagináveis do saber em todas as áreas (botânica, biologia, engenharia em todas as suas formas, medicina, farmacologia, cibernética, química, física, geografia, astronomia, transporte local e interplanetário, ciências humanas, etc.), estamos tão ameaçados de extinção???

A resposta a esta indagação não pode ser outra, senão, uma peremptória afirmação: “somos sociedades mundiais doentes!”

Quando se está doente, a primeira providência para a cura da enfermidade é o diagnóstico desta. É a partir do diagnóstico que se pode pensar no remédio.

Tenho repetido à exaustão que há, hoje, uma completa inadequação entre forma e conteúdo da relação social atual por obsolescência dos seus fundamentos existenciais. Entretanto, ao invés de se estudar as causas primárias de tal enfermidade, prefere-se usar antitérmicos para aplacar a febre sem atacar a doença, e por medo do desconhecido.

É evidente que a fórmula social própria ao sistema produtor de mercadorias, que sempre foi excludente e segregacionista, agora encontrou o
seu limite existencial por conta de suas contradições endógenas. Transformar a existência humana somente possível pela via da produção de mercadorias, no exato momento em que tal produção se inviabiliza, é submeter a vida da humanidade a um reducionismo irracional.

Metaforicamente falando, é a irracional insistência em tentar fazer com que uma massa corpórea maior caiba dentro de um invólucro menor aquilo que está a provocar os problemas ora vividos pela humanidade.

É claro que sob outro critério de produção e forma de organizações sociais, e com o uso de todos os saberes adquiridos pela humanidade, poderíamos ter uma vida completamente diferente, seja do ponto de vista da subsistência da vida material ou seja como racional harmonia social promotora da paz e sustentabilidade ecológica.

Já não se produz mercadorias, mais-valia e lucro nos níveis exigidos pela economia porque não há quem compre tudo que se precisa produzir em valor (decresce a massa global de valor pela queda de valor de cada mercadoria e volume de produção destas); e não há quem compre porque o consumo humano tem limites, mas principalmente porque o trabalho abstrato, única forma de produção de valor, está sendo substituído pela máquina em maior proporção.

Na política, as velhas formas de acesso ao Estado, e a própria função social do Estado, como pretenso provedor das demandas sociais (obrigação constitucional nunca cumprida a contento por conta da verdadeira essência opressora do estado como serviçal do capital), denunciam a falência sistêmica com dívidas públicas crescentes e juros sacrificantes para os países pobres, e o ridículo da incompetência de suas funcionalidades.

A fórmula de relação social do passado escravista mais remoto (após a introdução da forma mercadoria e abandono da partilha), da escravização direta, como no Império romano (Roma no ano zero da era cristã, tinha uma população de 1 milhão de habitantes, e 80% eram escravos) funcionou pela força das armas brancas.

Foi a relação social imposta pelo mercantilismo das armas de fogo que criou a produção de valor pelo trabalho abstrato pretensamente livre, e que funcionou como forma de relação social capitalista dita mais civilizada em substituição ao escravismo direto do feudalismo fisiocrata (a abolição dos escravos no Brasil, há pouco mais de cem anos, atendeu a um objetivo mercantilista interesseiro).
Tal relação social de produção baseada no trabalho abstrato agora foi substituída pelas máquinas que não produzem valor, numa imposição da concorrência de mercado. Esta é uma contradição fundamental: matam-se a
galinha dos ovos de ouro (o trabalho abstrato), confirmando o prognóstico de Marx de que “o capitalismo cava sua própria sepultura”.
Basta considerarmos que em nenhum dos bens de consumo tangíveis, e em nenhum tipo de serviço de que necessitamos, há um grama sequer de dinheiro, e que podemos produzir e consumir sem a intermediação dessa coisa demoníaca (mas aparentemente ingênua) que é a troca de mercadorias (denominada modernamente como contrato de compra e venda).

Como disse Belchior “não devemos temer o novo que sempre vem”, mas sabermos que “ainda somos e vivemos como os nossos pais!”.

Ainda dá tempo evitar a nossa própria extinção como espécie. Mas quando é que vamos sair da casa antiga deteriorada e disfuncional e construirmos uma nova morada para uma vida social adulta???

*Dalton Rosado

Advogado e escritor. Participou da criação do Partido dos Trabalhadores em Fortaleza (1981), foi co-fundador do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos – CDPDH – da Arquidiocese de Fortaleza, que tinha como Arcebispo o Cardeal Aloísio Lorscheider, em 1980. T\ambém foi secretário de Finançasna gestão da então prefeita Maria Luiza Fontenele.

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