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“99 Toms em 99 tons” – Por Tales M. de Sá Cavalcante

Com o título “99 Toms em 99 tons”, eis artigo de Tales M. de Sá Cavalcante, reitor do FB Uni, diretor-geral da Organização Educacional Farias Brito e presidente da Academia Cearense de Letras. Ele aborda livro de Ruy Castro sobre a biografia de Tom Jobim.

Confira:

Estava eu sem Mindlin, mas entre livros, numa das poucas livrarias de hoje e “garimpei” notável dueto. A biografia de Tom Jobim por Ruy Castro, o mesmo que, na Folha, considerou que, se escrita pela própria pessoa, não é biografia, pois só o seria se fossem usadas as armas do biógrafo, entre elas ouvir um mínimo de 200 fontes. Para o escritor, a autobiografia é mais uma memória, em que o autor ouve apenas a si mesmo.

O livro era “O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim”, considerado o melhor de 2025 no Prêmio Jabuti, onde o numeral do subtítulo explicita quantas são as crônicas ali reunidas. A descrever melodias, compositores, letristas, cantores e até filmes, o escritor revela: Jobim dizia que “acordar cedo, ver o sol, respirar fundo e achar que a vida é bonita era o que o estimulava a sentar e escrever música”. E que “numa época que não se falava em ecologia, já denunciava a destruição das matas, a especulação imobiliária e a poluição das águas”. Segundo o autor, sempre que Jobim abria o piano, o mundo melhorava. E o músico afirmou: “o Japão é um país paupérrimo, com vocação para a riqueza. Nós somos um país riquíssimo com vocação para a pobreza”.

Reza a lenda que linda garota, com o charme da carioca, a caminho da praia, passava em frente ao Bar Veloso, onde ficavam Tom e Vinicius a admirá-la pela “beleza que passa sozinha”, sem saber que “o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor”. A lenda também diz que Vinicius e Tom criaram “Garota de Ipanema” no próprio bar, que, por sinal, passou a ter o nome da canção.

O livro nos ensina que Tom compôs a música num apartamento e Vinicius escreveu a letra noutro. Para o autor, Tom Jobim compunha e Vinicius vestia com letras aquelas canções. Digo eu: que corpo, o do cliente! Que alfaiate! E que prova viva! O literato aponta no livro: “Tom não morreu. E, a qualquer hora dessas, vamos cruzar com ele, à sombra de alguma árvore que já não está mais lá”. Indica o seu epitáfio como: “tu foste a única culpada”. E indaga se era Ligia, Luiza, Gabriela ou Teresa da praia, de quem, a meu juízo, nem a praia conseguia ser sua dona…

*Tales M. de Sá Cavalcante

Reitor do FB Uni, Diretor-Geral da Org. Educ. Farias Brito e Presidente da Academia Cearense de Letras.
tales@fariasbrito.com.br

Eliomar de Lima: Sou jornalista (UFC) e radialista nascido em Fortaleza. Trabalhei por 38 anos no jornal O POVO, também na TV Cidade, TV Ceará e TV COM (Hoje TV Diário), além de ter atuado como repórter no O Estado e Tribuna do Ceará. Tenho especialização em Marketing pela UFC e várias comendas como Boticário Ferreira e Antonio Drumond, da Câmara Municipal de Fortaleza; Amigo dos Bombeiros do Ceará; e Amigo da Defensoria Pública do Ceará. Integrei equipe de reportagem premiada Esso pelo caso do Furto ao Banco Central de Fortaleza. Também assinei a Coluna do Aeroporto e a Coluna Vertical do O POVO. Fui ainda repórter da Rádio O POVO/CBN. Atualmente, sou blogueiro (blogdoeliomar.com) e falo diariamente para nove emissoras do Interior do Estado.

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