“Palavra é o som do coração” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato tem mestrado em Comunicação Social pela UFC.

Com o título “Palavra é o som do coração”, eis artigo de Suzete Nocrato, jornalista e mestra em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. “Detesto a obscuridade do silêncio. Ele me desespera, exaspera. Ler as entrelinhas é uma angústia. Para os mais espiritualizados, adivinhar o que o outro pensa e sente, é transcender a materialidade. Para mim, é uma viagem maluca que quase sempre me conduz a labirintos tortuosos e ao abismo da incerteza”, expõe a articulista.

Confira:

Ouvi, dias atrás, que o olhar fala onde as palavras já não alcançam. Pode até ser. Mas sou do mundo das palavras: amo-as, uno-me a elas, ainda que tantas vezes me atrapalhe no dizer. Desde criança, a vivo. É nela que acredito encontrar o caminho para a verdade mais profunda que habita o meu ser.

Detesto a obscuridade do silêncio. Ele me desespera, exaspera. Ler as entrelinhas é uma angústia. Para os mais espiritualizados, adivinhar o que o outro pensa e sente, é transcender a materialidade. Para mim, é uma viagem maluca que quase sempre me conduz a labirintos tortuosos e ao abismo da incerteza.

Persigo os vocábulos — especialmente os que teimam em não ser ditos — e, avidamente, espero. Deixo-me por eles enfeitiçar, assumindo o risco da sedução e até de ser enganada pelo óbvio. Não faz mal. A palavra, no entender de Clarice Lispector, materializa o espírito. Creio que ela seja o som do coração. Saudade, alegria, esperança, tristeza, sonhos, amor… vida.

Mordo-as, espero, acredito. Neruda ensina que tudo está nessa unidade da língua escrita. Diz ele que “uma ideia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu”. A incompreensão do dizer, penso eu, é melhor que o silêncio, que impede o mudar, o sentir, o experimentar, o viver.

Embora a devore, muitas vezes me calo. A angústia vem e, tento gritar, ouvir o som da própria voz. Busco a palavra secreta: falada em sussurro, desejada.

*Suzete Nocrato

Jornalista e Mestra em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

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