Com o título “PT – 47 Anos de Corrupção Sistêmica, Degradação Moral e Miséria Social”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “Com 47 anos de existência, a trajetória do Partido dos Trabalhadores revela uma ironia histórica difícil de contornar: o movimento que se proclamou portador da redenção moral, da justiça social e de uma “nova ética” acabou por institucionalizar práticas que transformaram tais promessas em retórica vazia”, expõe o articulista.
Confira:
Idealizado por intelectuais de esquerda – em sua maioria por anistiados políticos de 28 de agosto de 1979, por professores da USP, estudantes universitários, militantes da Igreja Católica vinculados à Teologia da Libertação e por um reduzido número de operários, o Partido dos Trabalhadores foi fundado em 10 de fevereiro de 1980 sob a aura de um messianismo político. Apresentava-se como portador da redenção moral da República, arauto da justiça social e guardião de uma suposta nova ética na política brasileira, erguendo-se retoricamente como alternativa virtuosa a um sistema que dizia condenar, mas que, desde o seu nascedouro, aprenderia a explorar com notável desenvoltura.
Com 47 anos de existência, a trajetória do Partido dos Trabalhadores revela uma ironia histórica difícil de contornar: o movimento que se proclamou portador da redenção moral, da justiça social e de uma “nova ética” acabou por institucionalizar práticas que transformaram tais promessas em retórica vazia.
Desde o momento que chegou ao poder, em todos os seus níveis, o PT deixou de ser a negação do “Brasil velho” para se tornar na sua mais sofisticada atualização, incorporando mecanismos de aparelhamento do Estado, captura de instituições e normalização da corrupção como método de governança. Hoje, com esse histórico, afirmar que o PT é corrupto e desonesto soa como um pleonasmo desnecessário, pois a corrupção não surge como desvio episódico, mas como elemento estruturante de sua cultura política, um traço recorrente que atravessa discursos, alianças e práticas administrativas. A distância entre o mito fundador e a realidade histórica é tão profunda que a corrupção deixou de ser uma acusação externa para converter-se em parte constitutiva do próprio DNA petista.
Os primeiros indícios de que o discurso moralista do PT não resistiria ao contato com o poder surgiram antes mesmo da posse de Lula na Presidência da República, em 2003. A degradação ética não foi um acidente de percurso do poder central, mas um vício precoce, gestado nas administrações locais e amadurecido no Parlamento. Como demonstraremos a seguir, desde o momento em que passou a gerir prefeituras, governos estaduais e a ocupar espaços estratégicos no Congresso Nacional, o partido já se destacava por uma sucessão quase ininterrupta de escândalos políticos, financeiros e morais, revelando que a corrupção não era exceção, mas método.
Recordemos alguns casos emblemáticos: O assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André (SP), em janeiro de 2002, associado a esquemas de arrecadação ilegal para o partido por meio de contratos com empresas de transporte e coleta de lixo. Em Campinas (SP), Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio, teve o mandato cassado em 20 de agosto de 2011, após a Justiça comprovar que ele operou um eficiente sistema de corrupção. Em Ribeirão Preto (SP), Antônio Palocci Filho, prefeito nos anos 1993-96 e de 2001 a 2002, protagonizou o maior escândalo de corrupção da história da cidade. Ainda hoje o seu nome é associado à “Máfia do Lixo”.
No âmbito estadual, Olívio Dutra, governador do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2002, esteve no centro de denúncias envolvendo o uso político do Banrisul, o aparelhamento agressivo do Estado e a instrumentalização da máquina pública para fins partidários. No Congresso Nacional, dezenas de parlamentares petistas acabaram envolvidos no escândalo da chamada “Máfia dos Sanguessugas”. Paralelamente, o PT institucionalizou o uso do Caixa Dois em campanhas municipais, estaduais e presidenciais entre 1989 e 2002, transformando a ilegalidade em prática corriqueira. O episódio dos “Dólares na Cueca”, envolvendo o deputado cearense José Guimarães, exposto em 2005, é apenas a face mais grotesca de um sistema de financiamento clandestino cuidadosamente arquitetado pelo PT bem antes de 2003.
Em 2005, o Brasil foi surpreendido com o escândalo do Mensalão, envolvendo centenas de milhões de reais para a compra de apoio parlamentar no congresso. Em seguida temos os escândalos do Petrolão, o Lava Jato, envolvendo o desvio de bilhões de Reais da Petrobrás e as pedaladas fiscais que derrubaram a presidente Dilma.
De posse de um vasto know-how de aparelhamento sindical e domínio sobre fundos de pensão de estatais, os petistas avançaram sobre essas instituições como verdadeiros predadores financeiros. Petros, Funcef, Previ, Postalis e Valia tornaram-se alvos de uma engenharia de saques, investimentos temerários e corrupção estrutural. Segundo apurou a CPI dos Fundos de Pensão (2015–2016), as falcatruas protagonizadas por dirigentes ligados ao PT produziram um rombo superior a R$ 100 bilhões, comprometendo as aposentadorias de centenas de milhares de trabalhadores, que foram penalizados, por décadas, com contribuições adicionais e cortes salariais para evitar a insolvência dos fundos.
No atual momento, temos o governo Lula – que foi condenado por corrupção e formação de quadrilha nas três Instâncias do judiciário e, posteriormente, descondenado pelo STF, permitindo que ele voltasse à cena do crime – envolvido com o escândalo de assalto de milhões de indefesos aposentados e pensionistas do INSS. Além de figuras do alto escalão do governo petista, o irmão do Lula, Frei Chico, vice-presidente do SINDNAPI, e o Lulinha, estão envolvidos nesse gigantesco esquema. Finalmente, temos o caso do Banco Master, o maior escândalo financeiro da história do Brasil, cujas falcatruas, segundo o jornalista Lauro Jardim, poderá derrubar a República.
O brasileiro honesto está exaurido, saturado por décadas de saque institucionalizado e de cinismo moral. As pesquisas nacionais já indicam que o PT e seus satélites, esses puxadinhos oportunistas do mesmo projeto de poder, enfrentarão enormes dificuldades nas eleições deste ano. No Ceará, onde doze anos de administração petista foram marcados por irresponsabilidade fiscal, dilapidação sistemática do erário e uma escalada brutal da violência, que destruiu o legado de reconstrução ética e de rigor fiscal construído nos governos Tasso Jereissati e Ciro Gomes, o esgotamento é ainda mais visível.
Felizmente, as pesquisas de opinião apontam, com clareza crescente, a disposição dos cearenses de romper definitivamente com esse ciclo de degradação moral e relegar tais figuras, símbolos de uma era de desgoverno e desonra, ao lugar que lhes cabe: o lixo da história.
*João Arruda
Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.