PT 47 Anos – Uma resposta ao professor João Arruda

Ditadura Militar e a repressão

“Estamos em ano eleitoral e infelizmente vivemos em um país profundamente polarizado”, aponta o administrador Gustavo Martins

Confira:

Para alguém que é professor de sociologia, seria esperado maior rigor com os fatos. Classificar a realidade como uma “ironia histórica difícil de contornar” revela, no mínimo, uma leitura superficial e distorcida da história recente do país. O professor sustenta uma tese completamente afastada da verdade. O PT elegeu presidente da República, governadores, deputados e inúmeros prefeitos, inclusive em capitais estratégicas como Fortaleza e em estados de grande relevância, como o Ceará.

Diante disso, como sustentar a ideia de algo “difícil de contornar”?

Uma de várias explicações, bem simples posso dizer: o partido foi sistematicamente perseguido por uma direita organizada dentro das estruturas de poder, que cometeu ilegalidades para enfraquecer a democracia, processo iniciado com o golpe do impeachment da Dilma. Quem não lembra do falso Juiz Moro e sua gangue, que depois tiveram cargos no Governo BoZonaro. Quem não lembra dos investimentos da direita nos Fake News, pagando milhões para influenciodores apoiarem. Essa perseguição, longe de enfraquecer o partido, acabou fortalecendo sua base.

Ao mencionar, com ironia, os anistiados da esquerda logo no primeiro parágrafo, o autor ignora — ou escolhe ignorar — o contexto histórico da ditadura militar. Naquele período, os militares que tomaram o poder pelo golpe de Estado mandaram prender, torturar e principalmente matar vários opositores. Civis que ousavam confrontar o regime eram obrigados a fugir do próprio país para sobreviver, como ocorreu com a então militante e futura presidenta Dilma Rousseff. Comparar esse passado com a atual discussão sobre anistia sem considerar tais fatos é, no mínimo, desonesto.

No penúltimo parágrafo, ao afirmar que “o brasileiro honesto está exaurido, saturado”, o autor sugere, ainda que de forma velada, que pessoas de esquerda são desonestas, já que não faz qualquer distinção entre correntes políticas. Trata-se de uma generalização perigosa, que reforça a lógica de radicalização típica da extrema-direita: perseguições, mentiras, injúrias e ataques morais.

Poderia passar o dia inteiro elencando exemplos das práticas da extrema-direita brasileira e ainda assim não chegaria a 10% do que penso a respeito. Por que não falar do empresárioBozo que alegou vender chocolates para justificar mansão milionária? Das “rachadinhas” nunca explicadas?

Da condução criminosa da pandemia, que contribuiu para a morte de quase um milhão de pessoas, somada ao negacionismo da vacina e ao delírio do “virar jacaré”? Do roubo de vacinas, das fraudes em licitações, do tráfico de ouro envolvendo membros do governo, das leis ambientais desmontadas para “passar a boiada”, das irregularidades no INSS, do escândalo do Banco Master?

A lista é extensa e vergonhosa. Confesso, inclusive, receio de que o jornalista Eliomar evite a publicação diante de tamanha gravidade — por isso, encerro aqui.

Estamos em ano eleitoral e infelizmente vivemos em um país profundamente polarizado. Um blog sério, ao abrir espaço para esse tipo de manifestação ridicula, tem também o dever ético de ouvir o outro lado. É fundamental que representantes da esquerda — seja do PSOL, PT, PCdoB ou de qualquer outra legenda da esquerda — tenham espaço para apresentar seu ponto de vista, garantindo o mínimo de equilíbrio e responsabilidade no debate público.

Gustavo Martins
Bacharel e Pós-Graduado em Administração
Acredito na esquerda como instrumento de transformações sociais, humanitários e democráticos.

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Uma resposta

  1. 1.
    Naquele período, os militares que tomaram o poder pelo golpe de Estado mandaram prender, torturar e principalmente matar vários opositores.
    Comentário: os opositores torturaram e mataram apenas por JUSTIÇAMENTO.
    2.
    o golpe do impeachment da Dilma.
    Comentário: O Sr está brincando?
    3.
    Quem não lembra do falso Juiz Moro e sua gangue
    Comentário: as condenações foram confirmadas em diversas instâncias e tiveram que “inventar” que o CEP estava errado.
    4.
    Da condução criminosa da pandemia, que contribuiu para a morte de quase um milhão de pessoas,
    Comentário: Muitas mortes foram causadas pela absurda recomendação FIQUE EM CASA. Os coitados só procuraram atendimento muito tarde.
    5.
    Confesso, inclusive, receio de que o jornalista Eliomar evite a publicação .
    Comentário: Nota-se que o Sr desconhece a história de Eliomar de Lima.
    Leia mais esse blog!

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