“Enfim… chegaram o Inverno e o Carnaval” – Por Ernesto Antunes

Ernesto Antunes, consultor de empresas. Foto - Arquivo Pessoal

Com o título “Enfim… chegaram o Inverno e o Carnaval”, eis artigo de Ernesto Antunes, escritor, administrador e consultor empresarial.

Confira:

Sábado magro, em pleno salão do Clube Náutico Cearense, o tradicional Carnaval da Saudade foi debaixo de muita chuva. Para alguns, como eu, um momento ímpar de celebrar o início dos festejos mominos com uma bênção dos céus, que veio para refrescar o corpo e a alma, em um enorme salão de festa praticamente vazio, pois outros foliões ficaram com receio de se molhar com a chuva noturna, dando uma conotação de frustração para eles.

A banda deu a sintonia perfeita com as suas tradicionais marchinhas, onde cantava: “Tomara que chova três dias sem parar…” e “Se a canoa não virar, olê, olô, olá, eu chego lá…”, que deram o tom da festa, a qual homenageava o grande compositor Fausto Nilo, que ainda deu uma canja, cantando seus grandes sucessos carnavalescos, como Zanzibar.

Mesmo timidamente, ouvia algumas pessoas que se arriscaram a pular de alegria na chuva e, com o salão molhado, afirmarem que, nos carnavais antigos, quando adolescentes, os carnavais eram debaixo de chuva, nos famosos corsos da Av. Duque de Caxias, e com direito a maisena e colorau para animar a brincadeira em família.

Um casal amigo, que também se arriscou na chuva, fantasiado de marinheiro, relatava que, como o carnaval quase sempre coincide com o inverno, deve ser motivo para dupla celebração, pois nós, nordestinos, precisamos desse esperado inverno.

Na ocasião do evento, foram tradicionalmente coroados, o Rei Momo e a Rainha do Carnaval fortalezense, onde afirmaram que foi dado oficialmente o 1º grito de carnaval, não desmerecendo os pré-carnavais com apelos comerciais e políticos, que começam quase trinta dias antes do período carnavalesco.

Aproveitei a ocasião e confirmei para um grupo de amigos do saudoso Colégio Cearense que o meu verdadeiro carnaval começava ali, no Náutico, coincidindo com o meu 1º banho de chuva do ano, regado a uma boa caipirinha de limão. No final da festa, completamente molhado e feliz, lembrei de uma frase do escritor Paulo Coelho: “Para ver o arco-íris, é preciso não temer a chuva”.

*Ernesto Antunes

Escritor, administrador e consultor empresarial.

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