“Depois do Carnaval, começa a prova real das gestões públicas” – Por Fábio Tajra

Fabio Tajra é jornalista

“Carnaval não é despesa supérflua. É investimento cultural, econômico e turístico. O problema não está na festa, mas na ausência de planejamento responsável”, aponta o jornalista Fábio Tajra

Confira:

Durante décadas ouvimos que “o ano só começa depois do Carnaval”. No campo da gestão pública, essa frase não é apenas folclore — é uma constatação prática.

Enquanto a festa movimenta milhões, gera visibilidade política e aquece a economia local, o verdadeiro teste começa quando os palcos são desmontados e as contas chegam. É nesse momento que se separa a gestão estratégica da gestão improvisada.

Carnaval não é despesa supérflua. É investimento cultural, econômico e turístico. O problema não está na festa, mas na ausência de planejamento responsável. Contratações artísticas, estruturas temporárias, segurança, logística e serviços diversos exigem previsão orçamentária séria, transparência e critérios técnicos. Quando isso não acontece, o que era oportunidade vira pressão fiscal.

Passada a euforia, estados e municípios precisam reorganizar prioridades, ajustar fluxos de caixa e cumprir metas fiscais. A Lei de Responsabilidade Fiscal não entra em recesso. Fornecedores precisam receber, servidores aguardam estabilidade financeira e a população cobra resultados concretos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.

O pós-Carnaval revela muito sobre a maturidade administrativa de uma gestão. Governos que utilizam o evento como ferramenta estratégica de desenvolvimento conseguem transformar cultura em geração de renda e fortalecimento do comércio local. Já administrações sem planejamento tendem a enfrentar dificuldades orçamentárias logo no primeiro semestre.

A política pública moderna exige mais do que eventos bem organizados. Exige visão de longo prazo, equilíbrio entre popularidade e responsabilidade fiscal, e sobretudo compromisso com resultados permanentes — não apenas com aplausos momentâneos.

Quando os confetes saem das ruas, começa a verdadeira gestão.

Fábio Tajra
Jornalista/ Gestor em Marketing

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