A Pinacoteca abriga, até o dia 15 de março, a exposição “Amar se aprende amando”, a maior mostra já realizada sobre o artista plástico Antonio Bandeira. Com 608 obras e documentos do acervo do Governo do Ceará, ainda celebra o centenário do artista.
A mostra está na Pinacoteca há mais de três anos.
Aberta em 3 de dezembro de 2022, na inauguração do museu, como parte da mostra “Bonito pra Chover” e celebrando o então ano do centenário de nascimento do pintor, a exposição é também a mais antiga em cartaz. A exposição já recebeu 281 mil visitantes para conferir o legado de Antonio Bandeira. O acesso é gratuito.
“Experiência insular”
Com curadoria de Bitu Cassundé e assistência curatorial de Chico Cavalcante Porto, a exposição foge do formato tradicional de uma retrospectiva linear para propor o que os curadores chamam de “experiência insular”, na qual conversam diferentes cronologias, linguagens e parcerias.
O recorte da mostra apresenta 608 itens do acervo do Governo do Ceará, reunindo pinturas, cadernetas de notas, desenhos, colagens e estudos. Esse conjunto revela a “anatomia dos processos” de Bandeira, permitindo ao público acompanhar o gesto da composição desde os estudos iniciais até a finalização das telas.
O percurso biográfico e de afirmação do artista recebe o público com obras imponentes como os Autorretratos no espelho, de 1945, e o Autorretrato na garrafa, de 1946, metáforas da imagem refletida que revelam a diversidade de sua figuração.
A mostra detalha ainda os processos relacionados a obras como Composição (Bicho), de 1947, e Favela, de 1949, que trazem temas centrais de sua produção: as arquiteturas urbanas, os contextos boêmios e os estudos de anatomia e antropomorfias. Um núcleo final é dedicado à fase abstrata, desenvolvida a partir de sua vivência em Paris e o contexto do seu abstracionismo no Brasil.
A exposição dedica-se ainda ao território afetivo construído por Bandeira em sua relação com as ruas de Fortaleza, seus amigos e o cotidiano. “Amar se aprende amando” também destaca a trajetória social de Antonio Bandeira. Homem negro, vindo de uma família simples da região central de Fortaleza, ele desbravou circuitos internacionais e instaurou uma modernidade própria nas artes visuais.
A curadoria evidencia a importância das construções coletivas e parcerias que marcaram sua vida, citando convivências com a arquiteta Lina Bo Bardi, a jornalista Eneida de Moraes e o reitor Martins Filho.
SERVIÇO
*Pinacoteca do Ceará – Rua 24 de Maio, Praça da Estação s/n, Centro
*Classificação indicativa: Livre
*Entrada franca
*Horário de funcionamento:
Quarta a sexta, das 10h às 18 horas; Sábado, das 12h às 20 horas;e Domingo, das 10h às 17 horas.