“O dia que o negacionismo tentou apagar” – Por Luiz Henrique Campos

Bolsonaro e sua omissão na pandemia. Foto: Reprodução

“O dia que o negacionismo tentou apagar”, eis o título da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar, assinada pelo jornalista Luiz Henrique Campos. “O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes relacionadas à Covid-19, número que por si só deveria encerrar qualquer debate sobre a dimensão da tragédia. Ainda assim, houve quem insistisse em desacreditar estatísticas, relativizar a letalidade do vírus ou promover medicamentos comprovadamente ineficazes como suposta alternativa à ciência”, expõe o colunista.

Confira:

Há exatos seis anos, no dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou oficialmente que o mundo vivia pandemia causada pela COVID-19. A data entrou para a história contemporânea como marco de alerta global. Não se tratava apenas de comunicado técnico, mas de chamado à responsabilidade coletiva diante de crise sanitária sem precedentes em nossa geração.

Essa data não deveria ser lembrada apenas pelo impacto sanitário da doença, mas também por outra epidemia que se espalhou com igual velocidade, que foi a da desinformação. Em muitos lugares do mundo, e especialmente no Brasil, a ciência precisou disputar espaço com teorias conspiratórias, curas milagrosas e discursos que tentavam minimizar tragédia que avançava diante dos nossos olhos.

Aqui, o país viveu espécie de batalha paralela. De um lado, profissionais de saúde, pesquisadores e instituições científicas tentando conter a disseminação do vírus. De outro, grupos alimentados por pseudos líderes políticos e influenciadores que insistiam em negar a gravidade da doença, questionar dados oficiais e propagar falsas soluções. O resultado dessa combinação foi devastador.

O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes relacionadas à Covid-19, número que por si só deveria encerrar qualquer debate sobre a dimensão da tragédia. Ainda assim, houve quem insistisse em desacreditar estatísticas, relativizar a letalidade do vírus ou promover medicamentos comprovadamente ineficazes como suposta alternativa à ciência.

Esse comportamento não foi apenas irresponsável. Foi historicamente perverso. A desinformação custou tempo, atrasou decisões, confundiu a população e minou a confiança em políticas públicas de saúde. Em momentos críticos, mentiras circularam com mais velocidade do que orientações médicas.

Por isso, o 11 de março precisa ser lembrado. Não apenas como o dia em que o mundo reconheceu a pandemia, mas como marco de reflexão sobre o perigo do negacionismo. As opiniões e declarações feitas naquele período devem permanecer registradas para que as futuras gerações compreendam o preço da irresponsabilidade coletiva, porque há uma lição que essa tragédia deixou de forma brutal, qual seja, a de que mentir também mata.

Infelizmente, mesmo após tantas perdas, a praga da desinformação continua a circular. No Brasil, ainda interfere diretamente em campanhas de vacinação e na adesão a políticas de saúde pública, mostrando que a disputa entre conhecimento e obscurantismo está longe de terminar. Lembrar essa data, portanto, não é apenas exercício de memória histórica. Trata-se de compromisso moral com a verdade, com a ciência e com as vidas que poderiam ter sido poupadas.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.

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