Com o título “Trabalho doméstico: a riqueza invísvel produzida por mulheres”, eis artigo de Joaquim Cartaxo, arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae do Ceará. “Com renda própria, as mulheres ampliam sua capacidade de negociação e escolha; a renda gerada amplia o consumo, a poupança e o investimento”, expõe o articulista.
Confira:
O trabalho doméstico e de cuidado não remunerado, empreendido por mulheres, constitui um elemento estrutural da economia. Dentre outras atividades, tem a ver com o cuidado de pessoas, o preparo de alimentos, a limpeza e a organização de espaços e a gestão do lar e do cotidiano familiar.
Como não é atribuído valor monetário a este trabalho, uma parcela da riqueza por ele produzida fica fora do Produto Interno Bruto (PIB). A remuneração alteraria indicadores de produtividade e ampliaria a base de cálculo referente à geração de riqueza, considerando-se as horas trabalhadas, evidenciando a interdependência entre mercado e família. Agregar este valor ao PIB mostraria a centralidade do trabalho do lar na economia.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres realizam cerca de 76% do trabalho de cuidado não remunerado no mundo e dedicam mais de três vezes o tempo dedicado pelos homens nessas atividades. São 708 milhões de mulheres fora do mercado de trabalho devido às responsabilidades de cuidado não remunerado, que demandam aproximadamente 12,5 bilhões de horas por dia em escala mundial.
No Brasil, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que, se contabilizado, o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado acrescentaria cerca de 13% ao PIB. As mulheres respondem por aproximadamente 65% dessa força de trabalho.
Remunerado, esse trabalho contribuirá para a autonomia econômica das mulheres e para o equilíbrio nas decisões domésticas. Com renda própria, as mulheres ampliam sua capacidade de negociação e escolha; a renda gerada amplia o consumo, a poupança e o investimento. Conquistar essa autonomia e poder requer luta política e social, pois a desigualdade de gênero é intensa no sistema patriarcal, obrigando as mulheres a conciliar, diariamente, as responsabilidades da vida profissional com as relativas às atividades de cuidado. Isto é: trabalhar, tomar conta da casa e cuidar da família.
*Joaquim Cartaxo
Arquiteto urbanista e superintendente do Sebrae do Ceará.