Com o título “Paixão e Páscoa: O Amor que inventei”, eis poema de Banksy de Campos, inventor da paixão platônica com Amor eterno.
Confira:
Me apaixonei pelo que inventei de ti,
Um sonho tecido entre o querer e o fingir,
A saudade mora no que nunca existiu,
A carência da ausência que jamais me partiu.
A paixão tem dois rostos, dois nomes, duas dores,
Um sofre em silêncio entre espinhos e flores,
O outro inventa amores na mente e no ar,
E chama de real o que foi só sonhar.
Cristo na cruz entregou o que tinha,
Não a ilusão, mas a vida que era a sua e minha,
Não fingiu o amor, não o inventou na mente,
Amou de verdade, inteiro e plenamente.
Na sexta a dor, o peso, a cruz e o chão,
Dias de luta carregados de paixão,
Mas o domingo guarda a luz da ressurreição,
Dias de glória nascem dessa provação.
E eu, que me perco em paixões que criei,
Aprendo na Páscoa o amor que não sei,
Aquele que morre para poder ressurgir,
Que não vive de ausência, mas aprende a existir.
A saudade que sinto é de mim mesmo, sei,
Das invenções lindas que ao longo do tempo fiz e dei,
Mas na manhã pascal, entre luz e alvorada,
Ressurjo do amor que inventei, para o amor que não invento em mais nada.
Pois o amor verdadeiro não morre, não some,
Atravessa a sexta, o sábado, e o domingo o consome,
Dias de luta, dias de glória, essa é a sua canção,
O amor é eterno, maior que qualquer paixão.
*Por Banksy de Campos
É um artista de rua, ativista político e diretor de cinema britânico, cuja verdadeira identidade permanece anônima.