Com o tema “Lições de otimismo e resiliência”, eis artigo de Paulo Elpídio de Menezes Neto, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará. “Nestes quatro anos de campanha presidencial, ao longo do terceiro mandato de Lula, de tudo se falou e cogitou. Menos de um projeto para o Brasil, uma “ponte” verdadeira e forte para o futuro”, expõe o articulista.
“Pessimismo da inteligência, otimismo da vontade” (Antonio Gramsci)
Confira:
Mal sinal esse otimismo ingênuo que a oposição faz por festejar às vésperas do “vale-tudo” eleitoral que se prenuncia.
Duas frases marcam a determinação das milícias a serviço da reeleição do presidente, neste confronto para o seu quarto mandato: “perdeu, mané” e “eleição não se ganha, toma-se”.
De mandatos duradouros ou de reeleições alternadas, para mais de 15 anos, só os militares alcançaram contagem tão expressiva com a sua democracia “lenta, gradual e segura” m, de 1964. O Estado Novo, somados os anos de “governo provisório”, não passou de 15 anos.
12 anos transcorridos, com 4 para transcorrer, com gente levando o seu voto às urnas eletrônicas é um feito inédito em qualque democracia em todo o mundo.
Aceitar a condição de “direita”, quando o mundo clama por liberdade e democracia, não parece ser uma estrategia inteligente. Antes se falasse de uma “frente democrática” de inspiração republicana, em defesa e salvaguarda da consolidação institucional e fortalecimento do sustema político.
Nestes quatro anos de campanha presidencial, ao longo do terceiro mandato de Lula, de tudo se falou e cogitou. Menos de um projeto para o Brasil, uma “ponte” verdadeira e forte para o futuro.
Direita e esquerda digladiam-se em torno de questões secundárias e populistas, a fugir de um confrontação sobre questões essenciais para as quais não estão preparadas. Prelalece, ao contrário, uma contabilidade eleitoral subalterna, iníqua e corrupta, como são expedientes dessa natureza. Tudo gira em torno de uma eleição, da cooptação de lideranças audaciosas, nos beirais da fazenda pública, de leis e regramentos oportunistas e da desconstrução de estrutura já fragilizada do governo do Estado.
Como ser otimistas com candidatos reconhecidamente despreparados para o exercício do Governo da República? O que esperar dessa “direita” em luta interna de vontades que não se ajustam. E da quebra da estrutura institucional que sofre o desastre, inédito na vida do país, de desconstrução por inépcia ou excesso de esperteza? Em que deram esses experimentos socialistas, tão promissores na aparência enganosa dos instrumentos que desenhariam uma nova sociedade, sob a autoridade e o poder de um Estado forte?
Vinte anos jogados fora por governos populistas não se consertam em uma década. Nem que dispuséssemos de uma reserva testada de atores públicos respeitáveis, de um sistema politico bem articulado, de uma economia moderna, de alianças internacionais fortes e de um povo unido em uma nação solidária e cooperativa.
Onde buscar meios e coragem para despertar nos brasileiros os estímulos de resiliência que nos faltam para sair das armadilhas que foram armadas pela nossa omissão e pela imperdoavel credibilidade para a aceitação de falsas ideias e arriscadas fantasias.
*Paulo Elpídio de Menezes Neto
Cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará.