“Quem escuta o professor?” – Por João Teles de Aguiar

João Teles é professor e historiador. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Quem escuta o professor?”, eis artigo de João Teles de Aguiar, professor e historiador. “Escuta ativa é outro conselho dado, aos professores/gestores. Mas o aluno está disposto a ouvir? Ou basta um pai valente ir à escola, pra gritar com o professor ou tentar agredi-lo?”, expõe o articulista.

Confira:

O professor brasileiro tem sérios problemas a enfrentar: um deles é o desafio de “manter a atenção dos alunos”; os mestres perdem, em média, 21% do tempo de aula, pra gerenciar a brigadeira, a zoadaria e a indisciplina. Muitos especialistas da área recomendam metodologias ativas, aulas dinâmicas e até o uso da Neurociência, e claro, forte relação afetiva. O professor recebe/recebeu boa formação pra isso?

E as famílias, onde ficam, nessa relação, de várias mãos? É de casa que vem a meninada, cheia de vícios e telas. Mas não é só tela, né? O “o buraco é mais embaixo!” No ambiente domiciliar, as pessoas escutam-se? Há diálogo, com maquininhas devidamente desligadas? Há subsídio, para com as crianças, nas atividades de casa ou da escola? Há interação pra valer? As crianças são ensinadas a ouvir?

“Alternar tipos de atividades, pra evitar monotonia e manter o interesse dos estudantes” é recomendado, pelos experts. Mas a locomotiva disso tudo é o professor. E ele foi/está sendo preparado pra isso? Qual é o percentual de professores, que tem domínio, pra valer, das tecnologias? Falar de fora, é fácil. Mas quem está na linha de frente, no chão da escola, pensa o que sobre tudo isso?

Vamos subsidiar, pra depois cobrar, pedir, exigir?

A calma em sala de aula tem a ver com atividades variadas, empatia entre as pessoas, foco do alunado… Isso será pensado em casa, em um mundo onde boa parte das famílias está correndo, adoidada, atrás do pão de cada dia?

Escuta ativa é outro conselho dado, aos professores/gestores. Mas o aluno está disposto a ouvir? Ou basta um pai valente ir à escola, pra gritar com o professor ou tentar agredi-lo?

Como dá pra ver, há mais indagações, que respostas. A escola precisa ser pensada/repensada, a partir das Seducs, das autoridades, que devem puxar o carro; deixar as escola a mercê do improviso, não é o caminho; a escola está muito solta, tendo que ser delegada, psicóloga, assistente social, etc. Como diz o povo, nas ruas:

– Cuida!

*João Teles de Aguiar

Professor e historiador, integrante do Projeto Confraria de Leitura.

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