“Ah… a vaidade!” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Por que Ciro quer se submeter às pesquisas a presidente? Talvez pelo mesmo motivo que lidere algumas pesquisas no Ceará, na condição de pré-candidato”, aponta o jornalista Nicolau Araújo. Confira:

“Quem teme ser vencido tem a certeza da derrota”. 

A frase do general e imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) por certo (ainda) não reflete o temor de Ciro Gomes em ser derrotado nas urnas ao Governo do Ceará, nas eleições de outubro/novembro. Mas ainda não encontrei uma lógica no aceno de Ciro em colocar seu nome à disposição nas pesquisas à Presidência da República. 

É o tipo de sinalização que em nada ajuda a quem se dispõe a um enfrentamento local. Pelo contrário, foi recebida pelos próprios aliados como “um vacilo” a quem jurou que mataria pelo Ceará. No campo nacional, Ciro segue marcado pelo fiasco da última eleição, quando pela primeira vez ficou em terceiro lugar em seu próprio Estado. 

E não foi um terceiro lugar honroso, sequer teve direito ao pódio. Ciro tirou pouco mais de 10% dos votos de Lula e ficou mais distante de Bolsonaro do que Simone Tebet para Ciro. O então candidato do PDT foi incapaz de quebrar uma polarização orquestrada por Lula e Bolsonaro, quando o tema principal no período era a economia, o quintal de Ciro. Pelo menos, era o que pensávamos ser o quintal de Ciro. 

O aceno às pesquisas ao Palácio do Planalto também não se deve a uma amizade com o agora correligionário Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, a quem Ciro já apontou como “cadáver político”.  

Então, por que Ciro quer se submeter às pesquisas a presidente? Talvez pelo mesmo motivo que lidere algumas pesquisas no Ceará, na condição de pré-candidato. 

Com quase 45 anos de vida política, Ciro sabe que pesquisas em pré-campanhas representam, no máximo, entre 12% a 14% da realidade de uma eleição, pois estão ausentes os principais fatores de uma campanha, a começar pela própria candidatura, definida na convenção partidária. Depois vem o engajamento dos municípios, por meio de seus prefeitos, lideranças de deputados federais, estaduais e vereadores, além da máquina administrativa. 

Tais fatores levam uma candidatura com então 8% iniciais a uma vitória em primeiro turno, com 53.69% dos votos válidos. E esse filme passou em um cinema bem pertinho de você. 

Ciro ainda não digeriu os pífios 3% dos votos válidos, em 2022, quando em eleições anteriores somou 10.97% (1998), 11.97% (2002) e incríveis 12.47% (2018). Quem sabe, por vaidade, possa sentir um gostinho desses índices em uma pesquisa de pré-campanha. 

No cenário local, uma polarização bagunçaria um pouco a questão dos fatores, diante do tamanho político do opositor Ciro Gomes, pois os governistas, desde o governo Cid Gomes, têm dificuldade de identificar as verdadeiras lideranças. Quase sempre confundem a cadeira do prefeito com a liderança no município. E os ajustes são feitos no segundo tempo. A sorte é que a oposição nunca conta com erros estratégicos dos donos do jogo. 

E Ciro viveu isso, por meio da soberba. E segue, por meio da vaidade… 

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido 

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