“Sua aventura foi pessoal e intransferível”, aponta o jornalista Norton Lima, Jr
Confira:
Morreu Lúcio Brasileiro. Ser citado por ele era receber o certificado de membro efetivo da sociedade cearense.
Foi enciclopédico e foi a enciclopédia que criou a família tradicional cearense. Morrem com ele histórias nunca contadas.
Nos anos 90, topei uma ideia do Tarcísio Tavares: escrever um livro sobre Lúcio. Falamos com ele no estacionamento da TV Jangadeiro. Não topou. Disse que biografia seria soberba. Que ainda estava em atividade. Não estava errado — mas nossa ideia era uma novela de sua trajetória influente, não um romance de cenas falsificadas.
Lúcio foi o tiozão confidente desta civilização do couro que nem o algodão civilizou. Ensinou a frescura necessária — garfo, faca, guardanapo. Combateu a vulgaridade, os brutos, os bestiais.
Seu texto era enxuto, telegráfico. Dava aula, apesar de suas análises serem opiniosas. Desprezava o voto popular. Era doido pra elogiar o nacional-socialismo, mas entendia os custos do sincericídio.
Morreu uma época. Não chegou a ser uma Era. Sua aventura foi pessoal e intransferível. Teve o mérito de perceber que há mais elegância na Sabedoria e na Inteligência do que nas contas bancárias.
Norton Lima, Jr é jornalista