“O mito da fraqueza masculina” – Por Suzete Nocrato

Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela UFC. Foto: Reprodução

Com o título “O mito da fraqueza masculina”, eis artigo de Suzete Nocrato, jornalista e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

Refletir o atual momento, em que as mulheres questionam e recusam papéis tradicionais impostos pelo patriarcado, ajuda a entender a reação de homens conservadores diante dessa nova ordem social.

Foi nesse contexto que o ator Juliano Cazarré decidiu promover o curso “O Farol e a Forja”, voltado aos chamados “homens de bem”, com a proposta de “resgatar valores” e fortalecer uma certa ideia de masculinidade. O convite gerou mais uma polêmica nas redes sociais, entre tantas que nos atravessam e provocam cansaço e desânimo.

O que mais me chamou a atenção foi a defesa insistente de que a sociedade teria “enfraquecido” os homens. Talvez daí tenha surgido a ideia de recuperar papéis tradicionais, reafirmar uma masculinidade específica e reinstaurar uma liderança que, segundo esse discurso, teria sido perdida.

A narrativa se assemelha ao que circula amplamente na internet, próxima do universo da chamada Red Pill, onde se sustenta que os homens estariam sendo prejudicados, deslocados, quase injustiçados por transformações sociais.

Meninos de 13 e 14 anos estão sendo atravessados por mensagens perigosas de que respeito é fraqueza, de que masculinidade se prova na dominação, de que ter várias mulheres valida o próprio valor. Esse tipo de ensinamento é um campo fértil para a misoginia, o ressentimento e uma noção distorcida de poder, que pode levar à violência e ao feminicídio.

Diante disso, uma pergunta se impõe: desde quando os homens precisaram de autorização para ocupar espaços? A história mostra que, há milênios, eles governam países, dirigem empresas, definem regras, determinam o que é certo ou errado, comandam vidas.

O que causa incômodo, na verdade, é a mudança. As mulheres já não aceitam mais o silêncio imposto. Confrontam, questionam e estabelecem limites. Aprendemos a dizer, com clareza, que ciúme não é amor, que controle não é cuidado, que grito não é autoridade, que medo nunca foi respeito.

Para alguns “homens de família”, qualquer freio aos privilégios seculares soa como opressão, como masculinidade ferida. Mas talvez revele o medo de deixar de ocupar, sozinho, o centro de tudo.

*Suzete Nocrato

Jornalista e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará.

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