“Bolsomaster: Ciro Nogueira foi o ministro mais importante do governo Bolsonaro” – Por Florestan Fernandes Júnior

Florestan Fernandes Júnior é jornalista

“Implodido hoje pela PF, Ciro Nogueira simbolizou a aproximação do ex-presidente com o Centrão e com o grupo ligado ao Banco Master”, aponta o jornalista Florestan Fernandes Júnior

Confira:

A nova fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, lança luz não apenas sobre o senador Ciro Nogueira, mas também sobre a relação entre o governo de Jair Bolsonaro, o Centrão e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Como ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira simbolizou a aproximação do ex-presidente com o Centrão e com o grupo ligado ao Banco Master.

As informações que vieram à tona até aqui reforçam a ideia de que estamos diante do “Bolsomaster”. Nesse sentido, vale lembrar que, em 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, doou R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro e outros R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas.

Não à toa, também foi durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central que ocorreu, em 2019, a aprovação da transferência de controle do antigo Banco Máxima, posteriormente transformado em Banco Master. A liberação ocorreu oito meses após o pedido ter sido inicialmente rejeitado por dúvidas sobre a origem dos recursos.

Outro episódio citado nas investigações envolve a chamada operação “Camaradagem”, realizada durante o governo de Ibaneis Rocha, que movimentou cerca de R$ 12,2 bilhões entre o Banco de Brasília e o Banco Master.

Agora, nesta quinta-feira (07/05), surgem fortes suspeitas ligando o bolsonarismo à rejeição do nome de Jorge Messias ao STF. Está claro que a articulação de Flávio Bolsonaro e Davi Alcolumbre serviu para impedir a CPI do Banco Master, devidamente engavetada pelo presidente do Senado.

Mas algo que os bolsonaristas não conseguiram evitar foi o avanço das investigações da Polícia Federal, que alcançaram, nesta quinta-feira (07/05), o senador Ciro Nogueira. Ao que tudo indica, um lobista muito bem remunerado do Master dentro do Senado Federal.

Mensagens encontradas nos celulares de Daniel Vorcaro dão conta de que o banqueiro autorizou seus assessores a fazer depósitos mensais de R$ 500 mil em favor da empresa BRGD S.A., ligada a Ciro Nogueira. Outras mensagens mencionam pagamentos de despesas pessoais do senador, incluindo hotéis de luxo, restaurantes e passagens aéreas.

As investigações apontam ainda que a proposta de emenda constitucional que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, teria sido elaborada por assessores do Banco Master e entregue pessoalmente a Ciro Nogueira.

Finalmente, o foco do escândalo começa a sair do STF e passa a atingir diretamente parlamentares ligados ao Centrão e ao bolsonarismo.

E, talvez, o mais emblemático: a autorização desta nova fase da operação Compliance Zero partiu justamente do ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça, quase como uma vingança contra aqueles que impediram a aprovação do nome do também evangélico Jorge Messias para o STF.

Florestan Fernandes Júnior
Jornalista, escritor e diretor de Redação do Brasil 247

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