“Cuidar cedo é cuidar melhor. E a CAFAZ tem o PSI” – Por Kleber Silveira

Kleber Silveira preside a CAFAZ. Foto: Divulgação

Com o título “Cuidar cedo é cuidar melhor. E a CAFAZ tem o PSI”, eis artigo de Kleber Silveira, presidente da Caixa de Assistência dos Servidores Fazendários Estaduais (Cafaz). “O PSI deixou de ser apenas uma iniciativa promissora para se tornar uma rede estruturada, com linha de cuidado integrada e sustentável, voltada à promoção, à prevenção e à assistência em saúde mental”, expõe o articulista.

Confira:

A saúde mental de crianças e adolescentes precisa ocupar um lugar mais central nas famílias, nas escolas, nos serviços de saúde e nas instituições comprometidas com o cuidado. Já não se trata de um tema lateral. É uma urgência do nosso tempo – humana, social e também assistencial.

Vivemos em uma era em que a internet, as redes sociais e os jogos digitais atravessam a vida cotidiana de forma intensa. Eles podem oferecer aprendizado, interação e entretenimento, como podem igualmente intensificar isolamento, ansiedade, irritação, privação de sono, sofrimento emocional e dificuldades de convivência, especialmente quando faltam acompanhamento, limites saudáveis e escuta atenta. Muitas vezes, os sinais chegam devagar. E, quando não são percebidos a tempo, o sofrimento se aprofunda.

É por isso que defender o cuidado precoce é, hoje, um ato de responsabilidade. Cuidar da saúde não pode significar apenas agir quando o problema já se instalou. Cuidar, sobretudo na infância e na adolescência, é orientar, prevenir, acolher, escutar, rastrear sinais iniciais e construir presença antes que a dor ganhe proporções mais graves.

Dentro de casa, os sinais podem parecer pequenos e, justamente por isso, costumam ser subestimados. Falamos de mudanças bruscas de humor, irritação frequente, dificuldade para dormir, uso excessivo de telas, afastamento da convivência familiar, queda no rendimento escolar, alterações na alimentação, tristeza persistente, perda de interesse
por atividades antes prazerosas. Nem tudo é apenas fase ou “coisa da idade”; em muitos casos, esses comportamentos são formas silenciosas de pedir ajuda.

Na CAFAZ – Caixa de Assistência dos Servidores Fazendários Estaduais, temos refletido com seriedade sobre esse cenário. Entendemos que promover saúde é também agir antes do agravamento, fortalecendo vínculos, ampliando a escuta e oferecendo caminhos de cuidado consistentes às famílias. É nesse contexto que o PSI – Programa de Saúde Integral – afirma-se como iniciativa estratégica e de grande relevância institucional.

O Programa vem consolidando um trabalho reconhecido nacionalmente na promoção da saúde mental dos fazendários, por meio de ações consistentes, acolhedoras e inovadoras. Desde sua criação, em 2015, construiu um percurso sólido no campo da saúde suplementar, com sensibilidade, visão e compromisso humano. Em 2025, a CAFAZ celebrou um marco expressivo: a primeira rede completa de cuidados em saúde mental entre as Caixas de Assistência do Brasil. Esse resultado não surgiu por acaso, é fruto de uma decisão institucional de colocar o bem-estar emocional dos beneficiários no centro da atenção.

O PSI deixou de ser apenas uma iniciativa promissora para se tornar uma rede estruturada, com linha de cuidado integrada e sustentável, voltada à promoção, à prevenção e à assistência em saúde mental. As Oficinas Terapêuticas, com rodas de conversa e grupos de psicoeducação, fortalecem vínculos, estimulam o autocuidado e desenvolvem habilidades socioemocionais. O Projeto Humanizar leva presença afetiva a beneficiários internados em psiquiatria e em tratamento de dependência química. O Projeto Escuta oferece suporte telefônico a pacientes hospitalizados, com escuta qualificada, contato com familiares e continuidade do cuidado ambulatorial.

Para a gestora do Sistema de Gestão de Saúde da CAFAZ, Dra. Jussara Barbosa, esse patrimônio institucional está apto a dar um novo passo à proposta de cuidado com a saúde mental infanto-juvenil, a partir de uma arquitetura ainda mais clara e potente, podendo ser organizada em quatro eixos: promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento.

Na promoção, cabe ampliar a educação para pais e responsáveis sobre convivência digital saudável, bullying, rotina, sono, alimentação e vínculo familiar. Na prevenção, é possível desenvolver campanhas sobre sinais precoces de sofrimento emocional. No diagnóstico, podem ser adotados protocolos simples de rastreio e treinamento dos médicos para a adequada percepção da necessidade de encaminhamento. No tratamento, a resposta assistencial pode ser organizada por estratificação de gravidade: casos leves com acompanhamento e orientação familiar; casos moderados com psicoterapia ambulatorial; e casos graves com psiquiatria, possível medicação e intensificação dos cuidados.

Essa organização torna o projeto mais sólido, executável e mensurável. Também permite pensar em um projeto-piloto moldado em regras assistenciais comparáveis às utilizadas pelas operadoras, com indicadores básicos para nortear e avaliar resultados. Entre eles, tempo médio entre triagem e primeira consulta; percentual de pacientes com rastreio em pediatria até os 18 anos; taxa de abandono antes da primeira consulta; número médio de sessões de psicoterapia por beneficiário por mês; taxa de encaminhamento para psiquiatria e frequência de uso das emergências por diagnósticos
psiquiátricos.

Quando uma instituição mede, acompanha e aprende com seus próprios resultados, ela transforma boa intenção em política concreta de cuidado.

Precisamos, portanto, avançar ainda mais. Fortalecer uma cultura de atenção à saúde mental, ampliar o acesso à informação de qualidade e reafirmar, junto às famílias dos fazendários, o valor da presença, do diálogo, do acompanhamento e do carinho. Em tempos de conexões digitais intensas, a presença humana continua sendo insubstituível. Estar perto, conversar, perceber mudanças e criar caminhos de acolhimento antes da crise é uma das formas mais concretas de proteção.

Cuidar da infância e da adolescência é cuidar do presente e do futuro, protegendo trajetórias, preservando vínculos e afirmando, na prática, que a saúde precisa ser compreendida de forma inteira. Esse compromisso integra a missão da CAFAZ: “Garantir a excelência dos serviços em saúde, de forma humanizada, tendo a vida como valor maior”.

Cuidar cedo, pois, é cuidar melhor. E a CAFAZ tem no PSI a base, a experiência e a sensibilidade necessárias para liderar esse cuidado – agora com ainda mais método, foco e capacidade de gerar resultados.

*Kleber Junio Silveira

Presidente da Caixa de Assistência dos Servidores Fazendários Estaduais (Cafaz)

kleber.silveira@cafaz.org.br

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