“Estamos falando de uma doença complexa, que exige uma abordagem interdisciplinar e contínua. E o poder público precisa estar preparado para oferecer esse suporte”, aponta o deputado estadual Tomaz Holanda
Confira:
Esta terça-feira, 12 de maio, é o Dia Mundial e Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, uma data de profunda relevância social e humana que vai muito além da conscientização. É um dia de dar voz a milhares de pessoas que convivem diariamente com dores silenciosas, invisíveis aos olhos, mas extremamente incapacitantes.
A fibromialgia ainda é cercada por preconceitos, desinformação e incompreensão. Muitos pacientes passam anos sem diagnóstico, ouvindo que “isso é psicológico”, que “é exagero”, ou até mesmo que “não têm nada”. E talvez uma das maiores dores dessas pessoas seja justamente não serem acreditadas.
Por isso, se faz necessário o respeito a quem acorda cansado mesmo após dormir. Respeito a quem sente dores constantes no corpo inteiro. Respeito a quem convive com fadiga extrema, alterações do sono, ansiedade, depressão, dificuldade de comprometem sua vida profissional, familiar e emocional.
A fibromialgia é uma síndrome grave, reconhecida pela medicina e pela Organização Mundial da Saúde. E nós, enquanto representantes públicos, temos a obrigação de tratar esse tema com responsabilidade, humanidade e compromisso social.
Foi justamente ouvindo essas pessoas, conhecendo seus relatos e entendendo suas dificuldades, que apresentei o Projeto de Indicação nº 19 de 2026, que institui o “Programa Estadual de Referência em Tratamento da Fibromialgia no Estado do Ceará.”
Esse projeto nasce da necessidade urgente de ampliar o cuidado especializado para quem convive com essa condição. Nossa proposta prevê a criação e ampliação de centros de referência em todas as regiões do Estado, garantindo atendimento digno, humanizado e multiprofissional.
A fibromialgia não pode ser tratada de forma isolada. O paciente precisa de acompanhamento médico, fisioterapia, apoio psicológico, terapia ocupacional, atividade física orientada, suporte emocional e, acima de tudo, acolhimento.
Estamos falando de uma doença complexa, que exige uma abordagem interdisciplinar e contínua. E o poder público precisa estar preparado para oferecer esse suporte.
Além disso, o projeto também busca incentivar pesquisas, desenvolvimento de novas tecnologias e qualificação profissional, para que o Ceará avance na construção de políticas públicas permanentes voltadas aos pacientes fibromiálgicos.
E aqui faço questão de destacar que essa luta não é individual. Ela é coletiva.
Por isso, hoje também quero prestar meu reconhecimento à deputada Dra. Silvana, que tem sido uma voz firme, sensível e corajosa nessa causa.
A deputada Dra. Silvana conhece de perto essa realidade. E justamente por vivenciar os desafios impostos pela fibromialgia, transformou sua experiência em instrumento de luta e conscientização. Sua atuação tem sido fundamental para dar visibilidade ao tema, combater o preconceito e defender direitos para milhares de pessoas que muitas vezes sofrem em silêncio.
Deputada Dra. Silvana, receba hoje o nosso respeito e reconhecimento. Sua coragem inspira homens e mulheres que convivem diariamente com dores invisíveis e que encontram em sua voz um símbolo de esperança e representatividade.
Precisamos reconhecer que tivemos avanços importantes nos últimos anos em relação aos direitos das pessoas com fibromialgia.
Hoje já existe um entendimento cada vez maior de que a fibromialgia precisa ser tratada como questão séria de saúde pública.
Em vários estados brasileiros, pacientes já conquistaram direitos importantes, como atendimento preferencial, emissão de carteiras de identificação, prioridade em filas, vagas especiais e reconhecimento da condição para fins de proteção social.
Também houve avanços importantes no reconhecimento da necessidade de adaptação no ambiente de trabalho e na garantia de benefícios previdenciários nos casos em que a incapacidade laboral é comprovada.
Esses avanços representam uma vitória da empatia, da ciência e da luta de milhares de pacientes e familiares.
Mas ainda estamos longe do ideal. Infelizmente, muitas pessoas ainda enfrentam dificuldades para conseguir consultas especializadas, medicamentos, exames, fisioterapia e acompanhamento psicológico.
Muitos pacientes precisam percorrer vários consultórios até receber um diagnóstico correto.
Muitos ainda sofrem preconceito no trabalho, dentro da própria família e até em ambientes de saúde.
E isso precisa mudar.
Cerca de 5 milhões de brasileiros convivem com a fibromialgia, sendo a maioria mulheres. Isso mostra que estamos diante de uma condição que afeta diretamente milhares de famílias brasileiras e que exige atenção permanente do poder público.
Não podemos permitir que essas pessoas continuem invisíveis.
Precisamos fortalecer campanhas de conscientização, ampliar o acesso ao tratamento, investir em capacitação profissional e garantir atendimento humanizado.
Também é necessário combater o preconceito.
Porque a dor que não aparece em um exame continua sendo dor.
Porque a dor invisível também incapacita.
Porque ninguém escolhe viver com sofrimento diário.
A política tem sentido quando consegue melhorar a vida das pessoas. E defender os pacientes com fibromialgia é defender dignidade humana.
É garantir que essas pessoas tenham direito ao tratamento adequado, ao acolhimento, ao respeito e à qualidade de vida. Seguiremos firmes nessa luta. Seguiremos defendendo mais acesso ao diagnóstico precoce, mais centros especializados, mais tratamento multidisciplinar e mais respeito para todos os pacientes fibromiálgicos do Ceará.
Que este Dia Mundial da Fibromialgia seja mais do que uma data simbólica.
Que seja um chamado à empatia. Que seja um chamado à responsabilidade. E que seja, acima de tudo, um chamado à ação. Porque ninguém deve ter sua dor desacreditada.
Tomaz Holanda é deputado estadual pelo Mobiliza