Sensibilizar públicos para a diversidade e sofisticação de acervos do Ceará é o mote da série de encontros virtuais Joias do Ceará, realizada no âmbito do Festival Alberto Nepomuceno (FAN). Uma criação da jornalista Izabel Gurgel, responsável pela pesquisa, curadoria e apresentação dos encontros, a série transmitida pelo YouTube do festival aborda bens artísticos e culturais, compondo acervos materiais e imateriais.
Neste ano, leva para o espaço virtual a série Leituras Públicas Gilmar de Carvalho, iniciada na programação do festival em 2023, de forma presencial, no Museu de Arte da UFC (Mauc).
Três edições
Em sua 12ª edição, o FAN apresenta três edições do Joias do Ceará. O primeiro deles, neste sábado, 30 de maio, às 10h, apresenta o acervo pessoal desenvolvido por Virgínia Fukuda, uma mestra das artes têxteis. “O encontro marca os 80 anos de vida da paulista Virgínia Fukuda, filha de japoneses, e seus 50 anos vivendo em Fortaleza. Nos últimos anos, a artista tem se aplicado ao bordado que aprendeu na infância com a mãe, criando um acervo pessoal de preciosidades”, conta Izabel Gurgel.
Com especial dedicação à linguagem musical, Virgínia Fukuda tem uma série de bordados sobre jazz e chorinho. “Bordou também Alberto Nepomuceno, o maestro cearense nascido em 1864 cuja trajetória inspira o festival”, diz a responsável pelo projeto.
A migração japonesa, a vida em Fortaleza e a literatura ficcional são outras fontes para Virgínia bordar. Além de leitora, ela própria realiza livros têxteis, como o que produziu durante a pandemia de Covid-19. É professora de bordado, com atenção ao sashiko, uma técnica japonesa; participou de ações coletivas, como o projeto de extensão da Universidade Federal do Ceará (UFC) denominado Iluminuras – Literatura e Bordado; e integra o grupo Café com Bordado.
No dia 6 de junho, também às 10h, o encontro é com o antropólogo Gerson Augusto de Oliveira Jr., professor da UFC. Ele é autor do livro “Torém: brincadeira dos índios velhos”, publicado em 1998 pela editora Annablume e pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult CE). A dissertação de mestrado, realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC, foi contemplada em 1997 com o Prêmio Sílvio Romero, concedido pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP).
O professor Gerson Augusto de Oliveira Jr. apresenta, desde os primeiros registros históricos — quando o torém “designa também um instrumento musical utilizado durante a dança” —, à pesquisa de campo realizada junto ao povo Tremembé de Almofala, no litoral Oeste do Ceará.
A apresentação do livro “Tirinete – Rabecas da Tradição”, do professor Gilmar de Carvalho, no dia 9 de junho, às 19h, marca o início das Leituras Públicas Gilmar de Carvalho em formato virtual. A pesquisa nos quatro cantos do Ceará sobre rabecas, luteria e performance foi contemplada em 2014 com o Prêmio Rodrigo de Mello Franco, do Iphan. Um pensador da cultura com uma intensa prática de atuação artística e acadêmica, Gilmar de Carvalho (1949-2021) lançou a pesquisa em 2018 no formato de livro. Uma documentação com mais de uma centena de rabequistas redesenha o Ceará a partir também da trajetória de Ana Soares, única mulher dentre tantos homens construtores e tocadores de rabeca. O livro tem fotos de Francisco Sousa, com quem Gilmar já havia publicado “Rabecas do Ceará”, em 2006.
Programação
Pelo YouTube do Festival Alberto Nepomuceno
*Dia 30/5 (sábado), às 10h
Virgínia Fukuda (80 anos de vida – 50 de Fortaleza) – Música, leitura e bordado
*Dia 06/06 (sábado), às 10h
“Torém: brincadeira dos índios velhos”, livro de Gerson Augusto de Oliveira Jr.
*Dia 09/06 (terça-feira), às 19h
Leituras Públicas Gilmar de Carvalho: livro “Tirinete – Rabecas da Tradição”.
Sobre o Festival
O FAN acontece até 13 de junho em Fortaleza, Itapipoca e São Gonçalo do Amarante. Toda a programação é gratuita e livre para todas as idades. O 12º Festival Alberto Nepomuceno integra a Política Nacional Aldir Blanc, é realizado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura (MinC), e pela produtora Vagalume. Tem apoio institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC), por meio da Pró-Reitoria de Cultura; Museu de Arte da UFC (Mauc); Programa de Promoção da Cultura Artística; Instituto de Cultura e Arte (ICA) e Grupo de Violoncelos da UFC. Tem apoio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará). Conta ainda com parceria com a Rede Festivais da Arte e Cultura do Ceará e a Associação Cardume.