“Muitas pessoas não são derrotadas quando perdem. São derrotadas quando acreditam que já perderam”, aponta o empresário Maurício Filizola
Confira:
Outro dia, assistindo a uma partida de tênis, pensei em como a vida gosta de se esconder nos lugares mais improváveis.
À primeira vista, era apenas um jogo. De um lado, um dos maiores campeões que o esporte já conheceu, Djokovic. Do outro, um jovem brasileiro de apenas 19 anos, João Fonseca, carregando mais sonhos do que troféus. A diferença entre eles parecia tão grande quanto a distância entre a nascente de um rio e o oceano. Em determinado momento, o placar não favorecia o garoto. E foi exatamente ali que a partida começou a me ensinar sobre a vida.
Percebi que muitas pessoas não são derrotadas quando perdem. São derrotadas quando acreditam que já perderam.
Existe uma diferença enorme.
A derrota real acontece fora. A desistência acontece dentro. E quase sempre ela chega primeiro.
Quando enfrentamos dificuldades, nosso pensamento costuma agir como um navegador em meio à neblina. Diante da primeira sombra, imagina o precipício. Diante do primeiro atraso, prevê o fracasso. Diante da primeira derrota parcial, sentencia o fim da história.
Quantas vezes abandonamos projetos que ainda poderiam florescer?
Quantas vezes desistimos de relacionamentos que precisavam apenas de mais diálogo?
Quantas vezes enterramos sonhos que estavam apenas atravessando o inverno?
A natureza nos ensina algo que frequentemente esquecemos: nenhuma árvore deixa de crescer porque passou por uma estação seca. Ela apenas aprofunda as raízes.
Talvez seja por isso que admirei tanto aquele jovem atleta.
Não porque venceu.
Mas porque continuou jogando.
Parece simples, mas não é.
Continuar quando tudo está dando certo exige motivação.
Continuar quando os sinais apontam para o contrário exige caráter.
Enquanto muitos desaceleram diante da adversidade, ele fez o oposto. Manteve o foco. Confiou no treinamento. Respeitou o adversário sem diminuir a si mesmo.
E talvez estejam aí três dos maiores segredos da vida.
Foco para não transformar dificuldades temporárias em sentenças definitivas.
Confiança para lembrar que nem sempre os resultados refletem imediatamente nossa capacidade.
E humildade para continuar aprendendo, mesmo depois das vitórias.
Porque existe um perigo silencioso maior do que perder: acreditar que já chegamos.
A arrogância interrompe o crescimento exatamente onde a humildade o impulsiona.
Os grandes vencedores raramente se apaixonam pelos aplausos. Eles se apaixonam pelo processo.
Enquanto o mundo celebra o resultado, eles voltam para o treino.
Enquanto as pessoas enxergam o topo, eles continuam olhando para o próximo passo.
Talvez seja por isso que algumas pessoas parecem improváveis até o dia em que se tornam inevitáveis.
Não porque possuam talentos sobrenaturais.
Mas porque desenvolveram a capacidade rara de permanecer quando a maioria já foi embora.
Ao final daquela partida, fiquei pensando em quantos “segundos sets” existem na vida de cada um de nós.
Aquele negócio que ainda não deu certo.
Aquela meta que parece distante.
Aquela fase difícil que insiste em permanecer.
Talvez a pergunta mais importante não seja se você está vencendo agora.
Talvez seja outra. Você ainda está jogando?
Porque a vida guarda uma estranha sabedoria: muitas das nossas maiores conquistas acontecem depois do momento exato em que pensamos em desistir.
E quem sabe o capítulo que hoje parece derrota seja apenas a parte da história onde a coragem está aprendendo a ter paciência.
Mauricio Filizola
Presidente da CDL Fortaleza