“Lula não teria vencido em 2022 e o PT não existiria hoje se tivessem desistido de lutar em 2018, como fez ontem a seleção inglesa”, aponta o jornalista Ricardo Amaral
Confira:
Minha memória viajou ontem, quando o comentarista da Cazé TV vergastou a humilhante derrota da seleção inglesa, que tomou a virada da Argentina justamente porque teve medo de perder e recuou, desistiu de jogar futebol, depois de ter feito 1 x 0. “O futebol não perdoa a covardia”, disse o comentarista. A política também não, respondi para a tela da TV, enquanto o pensamento voava para as eleições de 2018. Pois no futebol e na política há derrotas e derrotas. As que arrasam e as que fortalecem.
Num dia 7 de abril, oito anos atrás, Lula foi preso depois de condenado ilegalmente por um ex-juiz parcial, para não disputar as eleições presidenciais. Mesmo assim, liderava as pesquisas e o PT, então presidido pela deputada Gleisi Hoffmann, ousou lançar sua candidatura ao Planalto. Disseram que era loucura e uma provocação à Justiça. Que o partido devia lançar um candidato palatável ao centro e que o próprio Lula seria prejudicado numa eventual tentativa de redução de pena ou mudança para a prisão domiciliar.
Faltando menos de um mês para a eleição, o TSE cassou o registro de Lula, contrariando a lei eleitoral e uma decisão vinculante da ONU. O PT lançou Fernando Haddad para substitui-lo. Disseram que o ex-prefeito nem chegaria ao segundo turno e que o partido deveria apoiar Ciro Gomes para não cair no isolamento político. Pois Haddad chegou ao segundo turno e fez 45% dos votos, nas condições que se recordam. Quem ficou estacionado em 12% foi Ciro, metido hoje numa aliança com o bolsonarismo no Ceará. Melhor seria o isolamento…
Ricardo Amaral é editor especial do Brasil 247 em Brasília