“O que o dinheiro de Eunício não pode comprar?” – Por Nicolau Araújo

Nicolau Araújo é jornalista

“Nunca foi recebido pelo eleitorado com calor humano, tampouco foi visto à altura dos mandados aos quais já exerceu”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

O empresário e deputado federal Eunício Oliveira tem ou já teve tudo o que o dinheiro pode comprar, desde bens de luxo até um partido político para chamar de seu, o MDB/PMDB. Há quase 30 anos com o partido debaixo do braço, o presidente do MDB no Ceará viu a reeleição de FHC à frente da Presidência da República, além do surgimento do Google e até a passagem de um século para o outro, esse último acontecimento três anos já no exercício do mandato de dirigente.

Mas foi na política que Eunício teve o dissabor do choque de realidade que nem tudo o dinheiro pode comprar. Embora ainda relute contra isso.

Como deputado federal e senador, quando então chegou a presidir o Congresso Nacional, Eunício nunca foi recebido pelo eleitorado com calor humano, tampouco foi visto à altura dos mandados, aos quais já exerceu, pela maioria do setor produtivo no Estado e da imprensa local.

Tamanha inabilidade da conquista ou da cativa, colocou Eunício como objeto de estudo em cursos superiores de Ciência Política, Comunicação e Publicidade sobre como se perder uma eleição. No caso de Eunício, duas.

A primeira em 2014, quando concorreu ao governo do Ceará contra Camilo Santana (PT). Na certeza que poderia vencer a disputa, no primeiro turno, Eunício foi surpreendido com uma segunda colocação, apesar da pouca diferença de menos de 60 mil votos, em um universo de mais de 4,2 milhões de votos.

Eunício sequer atentou que impediu a máquina estadual de eleger em primeiro turno o candidato governista, além do feito histórico da eleição do senador de oposição (Tasso Jereissati), desde a redemocratização. Enquanto o então governador Cid Gomes e seu candidato Camilo Santana deram uma festa no comitê eleitoral, Eunício foi chorar a frustração pessoal.

Resiliência não se pode comprar.

Como resultado, Eunício perdeu no segundo turno por mais de 300 mil votos.

A segunda frustração de Eunício ocorreu em 2018, quando não conseguiu se reeleger senador, mesmo no cargo de presidente do Senado/Congresso Nacional. Ao acreditar em uma eleição fácil, na contramão do sentimento de prefeitos e lideranças políticas, diante dos resquícios de 2014, Eunício desmobilizou quase toda a sua equipe de campanha, ainda na segunda semana da corrida eleitoral.

Soberba não é uma boa mercadoria para o dinheiro comprar.

Como resultado, Eunício perdeu para o então desconhecido do eleitorado Eduardo Girão, por menos de 12 mil votos, em um universo de mais de 7 milhões de votos.

Agora, Eunício se mostra novamente contrariado ao ver sua pré-candidatura ao Senado escorregar por entre os seus dedos, principalmente após a chapa governista confirmar a pré-candidatura Cid Gomes (PSB). A outra vaga na chapa para o Senado, dificilmente deixará de ficar com a esquerda.

E Eunício acena para a oposição, ao perceber o receio de Capitão Wagner (União Brasil) em assumir uma das duas pré-candidaturas, após a perda do mandato da esposa Dayany do Capitão (União Brasil), com a recontagem dos votos à Câmara Federal da eleição 2022. Wagner sabe que as chances à Câmara Federal são bem maiores que ao Senado. Também sabe que é forte como candidato, mas não tão forte na condição de cabo eleitoral.

Eunício passou a buscar a atenção de Ciro Gomes (PSDB), o novo dono da oposição no Ceará, ao atacar Cid Gomes, irmão do pré-candidato tucano a governador. Diz que Cid trai o irmão mais velho, “por nada”, em uma fala tosca e rancorosa, quando Cid já seria candidato natural. Sequer percebe que os irmãos podem se atacar, mas não gostam que os ataquem. Também não atenta que já tripudiou o próprio Ciro, em causas ganhas na justiça, inclusive expondo a aquisição de apartamento do tucano, em processo de arresto.

Eunício parou de querer comprar, agora está vendendo…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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