“As lições da final” – Por Prudente Silveira Mello

Prudente Mello é advogado

“O esporte pode ser um instrumento de emancipação, capaz de consagrar pessoas e povos historicamente esquecidos e explorados”, aponta o advogado Prudente Silveira Mello

Confira:

O jogo entre Espanha e Argentina foi um verdadeiro monólogo: havia apenas um personagem em cena. A partida mostrou que não adiantam interferências nefastas, movidas por interesses econômicos e políticos, que acabaram por expor a Federação Mundial ao constrangimento ao longo da Copa.

O resultado foi fruto de um coletivo fantástico, formado por jogadores que entram em campo não para pensar em si mesmos, mas no grupo. Nem mesmo a principal estrela argentina conseguiu nos brindar com um lampejo capaz de iluminar a arte da bola. Rodri, eleito o melhor do mundo, é a maior prova de que o futebol coletivo continua sendo o caminho.

Esta geração se consolida na ideia do coletivo, do futebol-arte, em que o talento individual se coloca a serviço da equipe. Parabéns a este esporte, que sai fortalecido com esta vitória ao derrotar a ideia da catimba, das provocações e de tantas outras atitudes que desmerecem a tradição da genialidade, da criatividade e da construção coletiva.

Viva o futebol-espetáculo, comprometido com a defesa das liberdades, dos direitos humanos e do respeito às democracias. O esporte pode ser um instrumento de emancipação, capaz de consagrar pessoas e povos historicamente esquecidos e explorados, como nos mostram Cabo Verde, Egito e tantos outros países que lutam por reconhecimento.

Que o futebol seja, acima de tudo, um instrumento de respeito à dignidade humana, aos direitos humanos e aos valores que aproximam os povos.

Prudente Silveira Mello
Advogado trabalhista e conselheiro da Comissão Nacional de Anistia

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