“Inimigos do Povo” – Por Fátima Vilanova

Fátima Vilanova é Doutora em Sociologia pela UFC. Foto: Arquivo Pessoal.

Com o título “Inimigos do povo”, eis artigo de Fátima Vilanova, doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, autora do livro “Está tudo errado… (Disponível na Amazon)” e criadora do Movimento pela Moralização da Política, “

Confira:

O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, está injuriado com a alcunha de inimigo do povo, por não pautar a PEC do fim da escala 6×1, que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas, distribuídas em cinco dias de trabalho por dois de descanso, sem redução
de salário. Ele fincou pé, e disse que a matéria só será votada depois das eleições, que não aceita pressão eleitoreira, ignorando que o tema é uma demanda da sociedade brasileira. Perguntemos ao senador: Esta sua postura é de quem ama o povo, o trabalhador sofrido que o elegeu? E os demais senadores, por que estão calados, indiferentes ao clamor social pelo fim da escala 6×1, por que não cobram a votação da matéria? Eles, também, são amigos do povo?

Perguntemos ainda aos candidatos aos governos estaduais, a deputado, a senador, à presidência da República: de que lado estão vocês, são a favor ou contra o fim da escala 6×1? Quem ficar contra o fim da escala 6×1 não pode contar com o voto do trabalhador nestas eleições de 2026.

As máscaras caíram das faces dos parlamentares, mostrando que eles estão do lado dos empresários, diga-se, daqueles de postura atrasada, que se negam a reconhecer a importância do trabalhador motivado, descansado, gozando saúde, de uma escala civilizada de trabalho, como condições essenciais à elevação da produtividade. Tais empresários asseveram que o país vai quebrar, se for aprovado o fim da escala 6×1, esquecendo-se de que o trabalhador é o ativo mais importante que faz a economia funcionar, que precisa ser valorizado, e fortalecido, sempre.

O país vai quebrar, sim, a se manterem os elevados impostos que todos pagamos para sustentar a corrupção na máquina estatal, bem como os privilégios da elite do funcionalismo público, que não respeita o teto constitucional de salário, em todas as instâncias de poder, desde os municípios, passando por estados e governo federal. É esta farra com o dinheiro público que precisa acabar, com a fiscalização da sociedade, e das instituições de controle.

Nenhum governo pode gastar mais do que arrecada, sendo urgente o ajuste fiscal envolvendo o Executivo, Legislativo, e Judiciário. É gastar mais do que se arrecada o que pode quebrar o Brasil. Combater a corrupção e os privilégios propiciarão a redução das despesas da máquina pública, a queda da taxa Selic, da inflação, o fortalecimento da economia, o crescimento do PIB. Nunca será o trabalhador que quebrará o Brasil.

E para completar a receita contra a quebra do país, é preciso que todos lutem pela redução do poder dos políticos, este sim, o responsável pela corrupção e privilégios, como aponto no Movimento pela Moralização da Política. Faz-se necessário discutir, urgentemente, o fim da reeleição, o fim do loteamento da máquina pública, o fim das emendas parlamentares, a realização de concurso público de provas e títulos para os aspirantes aos cargos de ministros das Cortes superiores e Tribunais de Contas.

Referidas mudanças são vitais ao combate de todos os vícios da política. Sem elas, tudo permanecerá como sempre foi, com o Brasil sem sair do lugar, com os eternos problemas, sem solução à vista. Os inimigos do povo continuarão a fazer a festa, a dar as cartas, a zombar da
democracia.

*Fátima Vilanova

Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará, autora do livro “Está tudo errado… (Disponível na Amazon)” e criadora do Movimento pela Moralização da Política

(Acompanhe no YouTube: @fatimavilanova6810).

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