Com o título “O Esgotamento do Ciclo Lulopetista”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “A memória coletiva dos brasileiros ainda guarda vivas as promessas que o levaram ao poder, promessas que se transformaram em símbolos de engano e frustração. Não esquecemos que, em cada pleito, o presidente recorreu a uma narrativa centrada em promessas de bem-estar, combate ao desemprego, controle da inflação, da violência e responsabilidade administrativa; jurou entregar prosperidade econômica, aumento do poder de compra, picanha na mesa, cerveja no fim de semana e três refeições diárias para todas as famílias”, expõe o articulista.
Confira:
A sucessão presidencial no Brasil está mergulhada em um cenário de polarização extrema, onde a campanha de Lula se vê encurralada pelo peso insuportável dos escândalos de corrupção que atingem familiares e aliados próximos, pela conivência com a violência praticada pelo crime organizado e pela escalada brutal da inflação dos alimentos que corrói o poder de compra da população. Nos últimos dias, assistimos à sangria aberta de sua candidatura, exposta ao desgaste contínuo e à rejeição crescente. O projeto do establishment para mantê-lo no poder enfrenta obstáculos intransponíveis: Lula carrega índices de rejeição estratosféricos em praticamente todos os segmentos sociais. A apenas 60 dias do pleito, os embates políticos se radicalizam, e os mesmos setores políticos, jurídicos, ideológicos e midiáticos que criminosamente arquitetaram sua descondenação e pavimentaram sua volta ao poder agora revelam sinais de impotência, apostando desesperadamente na inelegibilidade de Flávio Bolsonaro como último fôlego de sobrevivência.
Nesse ambiente de aversão generalizada, o lulopetismo se vê diante de um dilema existencial: comparecer ou não aos debates televisivos programados em diferentes emissoras. A hesitação é reveladora, traduzindo o medo de expor Lula ao confronto direto com os resultados de suas gestões desastrosas. A memória coletiva dos brasileiros ainda guarda vivas as promessas que o levaram ao poder, promessas que se transformaram em símbolos de engano e frustração. Não esquecemos que, em cada pleito, o presidente recorreu a uma narrativa centrada em promessas de bem-estar, combate ao desemprego, controle da inflação, da violência e responsabilidade administrativa; jurou entregar prosperidade econômica, aumento do poder de compra, picanha na mesa, cerveja no fim de semana e três refeições diárias para todas as famílias.
Seu legado, em contraste brutal com as promessas recorrentes, é catastrófico. Ao longo de seu atual mandato, a população vem sendo duramente onerada pela criação de 37 novos impostos e taxas; a irresponsabilidade fiscal, marcada por sucessivos e elevados deficits públicos, provoca inflação que destrói o poder de compra das famílias; a violência atinge níveis alarmantes, submetendo mais de 50 milhões de brasileiros que vivem em territórios dominados por organizações narcoterroristas aos mais diversos abusos, sob a conivência e a omissão do Estado; o endividamento das famílias alcança seu maior patamar histórico; o desemprego persiste como chaga social; e a percepção coletiva é a de que o futuro imediato será ainda mais sombrio. Esses elementos se transformam em feridas abertas que inevitavelmente estarão no centro dos embates eleitorais, expondo a falência de um projeto que insiste em se perpetuar apesar de sua evidente ruína.
Mas esse quadro de convulsões econômicas e sociais não se encerra aí. Os dois últimos anos foram atravessados por um ambiente político caudaloso de denúncias e escândalos de corrupção, como os casos do assalto aos indefesos aposentados e pensionistas do INSS e do Banco Master, que reacenderam na memória coletiva as lembranças dos intermináveis episódios que marcaram administrações petistas anteriores.
A reincidência desses escândalos não apenas aprofunda o desgaste da credibilidade do governo, como também expõe a persistência de um sistema viciado, incapaz de se regenerar. Cada novo episódio funciona como combustível para a indignação popular e fornece aos adversários um arsenal retórico devastador em plena disputa eleitoral. O lulopetismo, já fragilizado pela rejeição crescente, vê-se encurralado por deenúnciads de corrupção que se repete como um ciclo interminável, corroendo qualquer pretensão de legitimidade e projetando sobre o país a sombra de um futuro ainda mais instável.
Nesse contexto, a eventual participação de Lula nos debates assume contornos de uma aposta de alto risco. O presidente não estaria exposto apenas ao confronto direto com seus adversários e aos questionamentos sobre os resultados de sua administração, mas também às cobranças relacionadas ao envolvimento de pessoas de seu círculo familiar, como seu filho Lulinha que já acumula três processos, dois dos quais nas mãos do ministro André Mendonça. O dilema do lulopetismo, portanto, torna-se evidente: participar dos debates significa ingressar em um ambiente de intenso enfrentamento político, no qual cada resposta, cada omissão e cada deslize ampliarão o desgaste da candidatura, aumentando a percepção do eleitorado na reta final da sucessão presidencial.
Mas há algo ainda mais devastador para a derrocada política de Lula, e nesse terreno nem ele nem o consórcio que o sustenta têm qualquer controle: a memória inapagável da Internet. Esse arquivo coletivo, que não se dobra aos interesses inconfessos do sistema, já começou a ser resgatado com depoimentos comprometedores de centenas de ex-militantes e antigos companheiros como Hélio Bicudo, Chico de Oliveira, Francisco Weffort, Olívio Dutra, Cristovam Buarque, Plínio de Arruda Sampaio, Jacó Bittar, Fernando Gabeira e tantos outros militantes que romperam com ele desde o início dos escândalos de corrupção em seus governos. São vozes que emergem das sombras digitais para expor contradições, traições e práticas ilícitas, desmontando a narrativa cuidadosamente construída pelo lulopetismo. A cada novo testemunho, a farsa se desfaz, e o passado retorna como fantasma implacável, corroendo a credibilidade de um projeto político que insiste em sobreviver à custa da manipulação e do esquecimento.
A retomada dessas vozes pela oposição tem produzido um impacto devastador sobre sua imagem pública: de líder popular, Lula passa a ser retratado como um político tóxico, cuja presença se converte em fardo eleitoral de alto custo. A sucessão de manifestações de antigos aliados, que o acusam de ter abandonado os valores que o projetaram nacionalmente, emerge como um dos sinais mais eloquentes de seu declínio político, ético e moral, corroendo qualquer pretensão de legitimidade e expondo a falência de um projeto que já não encontra sustentação nem entre aqueles que o ajudaram a ascender.
E não foram apenas ex-companheiros partidários que expuseram o verdadeiro caráter de Lula. Em depoimento aos procuradores da Operação Lava Jato, Emílio Odebrecht relatou que o general Golbery do Couto e Silva descrevia Lula como um bon vivant, mais afeito à vida fácil e à cachaça do que a qualquer ideário de esquerda. Romeu Tuma Júnior, em seu livro Assassinato de Reputações, sustentou que Lula colaborou com o DOPS nos anos 1980, sob o codinome “Barba”, fornecendo informações ao regime militar. Já César Benjamin, ex-militante da esquerda armada, publicou na Folha de S.Paulo um artigo em que narrou um episódio ocorrido durante a prisão de Lula, em 1980: segundo ele, Lula teria confessado a tentativa de subjugar sexualmente um companheiro de cela mais jovem, conhecido como “o menino do MEP”. Esses relatos, vindos de fontes diversas e de trajetórias políticas distintas, convergem para um retrato devastador: o de um líder que, longe de ser símbolo de resistência, carrega um histórico marcado por contradições, desvios e condutas que corroem sua credibilidade ética e política.
Ao resgatarmos os inúmeros atos falhos de Lula, ditos ao longo de sua vida pública, fica evidente que, em sua essência, ele não passa de uma figura abjeta, machista, misógina, homofóbica e mentirosa, muito distante da imagem que a esquerda globalista apátrida e o sistema predador tentam maquiar. As eleições que se aproximam terão caráter plebiscitário: será o momento em que os brasileiros decidirão se desejam perpetuar o atraso e a reprodução da miséria ou se escolherão um projeto genuíno de desenvolvimento nacional. O destino do país está em jogo, e cabe ao povo enterrar no lixo da história tudo aquilo que simboliza a degradação ética, política e moral do lulopetismo, abrindo caminho para uma nova etapa de soberania e prosperidade.
*João Arruda
Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.
Respostas de 2
Acho que João Arruda estava se referindo ao Flávio Bolsonaro e ao pai presidiário. Foi o que entendi.
Chamar Lula de misógino, machista e homofóbico é inverter a verdade para convencer quem?