“As ‘bets’ em novas reflexões” – Por Vladimir Spinelli Chagas

Vladimir Spinelli é vice-presidente da Academia Cearense de Administração. Foto: Reprodução

Com o título “As ‘bets’ em novas reflexões”, eis artigo de Vladimir Spinelli Chagas, vice-presidente da Academia Cearense de Administração (ACAD) e mordomo na Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Confira:

Na postagem veiculada no 14/07/2026, no Blogdoeliomar, abordamos uma questão que consideramos de enorme gravidade, caracterizada por uma avalanche do que se designou como “bets” (apostas, em inglês), as temíveis plataformas de apostas digitais.

No Brasil, elas trazem um problema adicional, por estarem fortemente vinculadas ao futebol, esporte de enorme popularidade, e assim aparentarem uma diversão inocente. Mas, além dos esportes tradicionais, eletrônicos e entretenimentos, as “bets” exploram, especialmente, jogos de sorte virtuais, como caça-níqueis, roletas e cartas.

O massivo investimento de patrocínio nos clubes e campeonatos brasileiros se dá na contramão do que ocorre, por exemplo, na Europa, em que algumas ligas proíbem as agremiações de estamparem em seus uniformes propagandas de “bets”. Aqui, pelo contrário, há um incentivo não apenas para uniformes, mas para estádios e programas de televisão, por exemplo.

Assim, as pessoas são expostas a um mundo fantasioso, em que desfilam craques do presente e do passado, influenciadores digitais e outras figuras de destaque, sempre passando a falsa ideia de que apostar é algo glamuroso, que não representa qualquer risco e pode proporcionar uma renda extra, sempre bem-vinda.

No entanto, quando se chegou ao ponto em que os gastos com essas apostas ultrapassaram os R$ 30 bilhões mensais, em contraponto aos R$ 20 bilhões mensais investidos no nosso programa de saúde pública, o SUS, não há dúvidas de que é preciso, para ontem, inibir as facilidades hoje apresentadas, com uma forte regulamentação na publicidade, que não pode se limitar às discretas frases de advertência impostas pelas recentes regulamentações governamentais.

E, para além disso, uma reavaliação, também urgente, na questão da educação financeira e digital já a partir dos primeiros anos escolares, trabalhando o tema de forma transversal em que se ligue Matemática à interpretação de tabelas e juros, o consumo consciente em disciplinas como Geografia e História ou o impacto das mídias na Sociologia, e no campo da Tecnologia, a criação de barreiras virtuais para inibir o consumo por compulsão.

*Vladimir Spinelli Chagas

Vice-presidente da Academia Cearense de Administração (ACAD) e mordomo na Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

vladi.spinelli@gmail.com

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