Com lucro bilionário, BNB deixa aposentados do Plano BD/CAPEF em situação crítica

Sede do BNB, em Fortaleza. Foto: Arquivo

O Banco do Nordeste completou 74 anos comemorando lucros anuais que superam os R$ 2 bilhões (2025) e consolidando sua relevância no desenvolvimento regional. No entanto, por trás dos resultados expressivos, esconde-se uma crise enfrentada pelos 6.002 integrantes do Plano de Benefício Definido (BD), gerido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do BNB (CAPEF).

Os participantes da CAPEF denunciam que contribuíram, durante 30 anos, na expectativa de ter uma aposentadoria justa e digna. Ao se aposentarem, depararam-se com valores muito inferiores aos previstos.

Decorridos mais de 20 anos sem que o BNB apresentasse propostas concretas para mitigar os prejuízos acumulados, os participantes informam que decidiram recorrer à imprensa para denunciar a situação de “desamparo” e cobrar uma postura imediata da presidência da instituição financeira.

O Contraste entre lucro e aposentadorias

Quando se aposenta, o funcionário do BNB recebe o equivalente a 40% do valor que angariava enquanto estava na ativa e fica com um desconto de 18,3% como contribuição extraordinária, reduzindo ainda mais o valor destinado ao aposentado.

Do total de 6.002 integrantes do plano, 3.338 pessoas (55,6%) recebem uma renda mensal de aposentadoria paga pela CAPEF de até cinco salários mínimos. Mais grave ainda, denuncia o segmento: 600 integrantes (10,0%) recebem valor inferior a um salário mínimo.

Desconto Extraordinário de 18,3%

Os participantes contribuíram para receber um benefício integral (que já sofreu drástica redução, em relação a quando estava na ativa) e, a título de Contribuição Extraordinária, a CAPEF ainda desconta 18,3% no valor do benefício (para equalizar déficit passado, sem data para acabar), reduzindo ainda mais o poder de compra de famílias de idosos.

Outro ponto crítico refere-se às regras de pensão por morte. Na maioria dos casos, o benefício destinado aos dependentes cai para menos de 50% do valor recebido pelo aposentado, deixando famílias desprotegidas após o falecimento do titular.

Aposentadorias postergadas

Devido à queda drástica nos proventos, centenas de trabalhadores postergam a aposentadoria mesmo tendo cumprido o tempo máximo de contribuição. O plano conta com 5.438 pessoas (90,6% do total) com idade superior a 60 anos — grupo que inclui mais de 500 ativos nessa faixa etária e dezenas de empregados com idades entre 70 e 80 anos ainda em atividade.

A crise no Plano BD ultrapassa os números e cálculos atuariais: trata-se da sustentabilidade e dignidade de milhares de idosos que dedicaram décadas de trabalho ao fortalecimento da economia do Nordeste.

Enquanto o impasse se arrasta sem propostas de mitigação por parte do banco, dezenas de colaboradores (ativos e aposentados) morrem sem ver a reparação financeira de suas aposentadorias – um sacrifício a mais para suas famílias.

Os participantes — com apoio da AABNB e da AFBNB — exigem que a presidência do BNB assuma a responsabilidade institucional, abra uma mesa de negociação efetiva e apresente propostas concretas para recompor a dignidade previdenciária de seus aposentados e pensionistas, que dedicaram suas vidas ao banco.

DETALHE – O Blogdoeliomar aguarda manifestação da presidência do BNB sobre o caso.

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