A maior expedição e travessia de kitesurf do mundo já está em águas cearenses. A 14ª expedição do Iron Macho desembarcou no último sábado (12) na Praia de Tremembé , em Icapuí (Litoral Leste), e chegará hoje em Fortaleza. Para atingir o feito, os kitesurfistas, brasileiros e estrangeiros, precisam completar o feito de cruzar cerca de 205 km do litoral cearense debaixo de muito Sol e acreditar nas bençãos dos ventos alísios, que os levarão até Alcântaras, no Maranhão, no próximo dia 30.
Os 77 atletas, quando aqui desembarcarem, já terão atravessado 866 km do litoral dos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. A saída, no dia 1º de setembro, foi na Ilha de Itamaracá (PE) e teve ciranda para marcar o início da “maior kitetrip das galáxias”. Nem sempre os ventos foram favoráveis nesse período, mesmo os atletas acordando, todos esses dias, tendo como única missão o içar das velas (kite), a subida na prancha e celebração da maior kitetrip do mundo.
Um longo percurso pela frente
As 10 paradas em praias cearenses representam apenas metade de todo o trajeto que esses atletas percorrem. O mosaico de culturas e desafios é o que faz a expedição uma das mais fascinantes do mundo, incluindo ainda passagens pelo Delta das Américas, no Piauí, e um day off nos Lençóis Maranhenses. Do litoral pernambucano até Alcântaras, no Maranhão, os participantes precisam percorrer 1.000 milhas náuticas, o correspondente a atravessar 1.852 km nas águas do Oceano Atlântico.
“Mais do que um evento esportivo, o Iron Macho movimenta a economia, fortalece o turismo de aventura e projeta o Nordeste brasileiro como referência internacional em kitesurf. Cada parada gera impacto econômico, beneficia pousadas, restaurantes e gera renda para o artesanato”, frisa Marques Filho. Neste ano, 12 atletas internacionais participam do evento que não tem caráter competitivo. Um uruguaio com deficiência física é uma das estrelas inusitadas do Iron Macho 2026.
“O conceito do Iron Macho nasceu da ideia de transformar o mar em estrada e o kitesurf em meio de viagem. Mais do que resistência física, a proposta envolve convivência, descoberta territorial e conexão com a natureza. Ele nasceu do kitesurf, mas percebemos que existe algo muito maior acontecendo: pessoas de diferentes países, culturas e gerações se encontrando e construindo uma história juntas. Durante 30 dias, o oceano deixa de ser barreira e passa a ser a nossa estrada”, arremata.
Trocadilho
O nome do evento, explica o idealizador do evento Marques Filho, é um trocadilho bem-humorado do “Iron Man”. A escolha combina a exigência física do triatlo internacional com o sotaque e a cultura cearense. Isso porque, para os mais incautos, “macho” é uma das gírias mais populares e afetivas do Ceará. No dialeto cearense, “macho” é usado como sinônimo informal de “cara”, “amigo” ou “parceiro”, o que no dia à dia da kitetrip, inclusive, acaba sendo usada pelas participantes do evento.