Com o título “O STF nas cordas e o escândalo supremo”, eis artigo de Leandro Vasques, advogado criminal e mestre em Direito Penal pela UFPE. “Por que também o presidente do Senado não faz tramitar ao menos um dos mais de 100 pedidos de impeachment que lá adormecem? Há uma espécie de tentativa esdrúxula de imunidade/blindagem institucional”, expõe o articulista.
Confira:
O celular do banqueiro Daniel Vorcaro evidenciou que os tentáculos do dinheiro e do poder podem alcançar palácios e gabinetes de maneiras capazes de suscitar inveja nos mais criativos artífices das películas de Hollywood.
A sociedade está impactada, perplexa e lívida com o “STF-Flix” que a cada semana escala novos capítulos e a Suprema Corte sofre uma hemorragia sem precedentes.
Entre convescotes regados a uísques de quilate, orgias com meretrizes, camarotes e encontros reservados, poucas togas supremas parecem imunes ao redemoinho de indagações que está longe do desfecho. Alexandre de Moraes e o contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de sua mulher; supostas mensagens (52) que teriam revelado comunicação direta entre Moraes e Vorcaro, inclusive sobre um provável plano de fuga antes de sua prisão; os R$ 35 milhões relacionados a fundo ligado ao resort familiar do ministro Toffoli; e os encontros de André Mendonça com Vorcaro, além dos questionamentos sobre a condução de feitos sob sua relatoria…. tudo isso exige uma resposta rápida.
Mais assustador ainda é o ruidoso silêncio e a obsequiosa inércia do chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, que não se entende como a esta altura, a PGR ainda não requisitou investigação sobre Moraes, Toffoli etc.
Por que também o presidente do Senado não faz tramitar ao menos um dos mais de 100 pedidos de impeachment que lá adormecem? Há uma espécie de tentativa esdrúxula de imunidade/blindagem institucional.
O que está em jogo é maior do que Moraes, Vorcaro ou qualquer outro personagem: é a credibilidade da Justiça brasileira. Quando a Corte que deveria ser árbitra passa a ocupar o centro permanente das controvérsias, quando seus integrantes e familiares aparecem associados a fatos que reclamam esclarecimento e quando a sociedade começa a enxergar seletividade onde deveria existir imparcialidade, a crise deixa de ser individual e passa a ser institucional.
Se a credibilidade do STF está em xeque, não será a força de suas decisões que a recuperará. Somente a verdade, a transparência e a responsabilização, doa a quem doer, poderão devolver à mais alta Corte do país aquilo que nenhuma toga consegue determinar por decreto: o respeito da sociedade.
O STF estas nas redes e prossegue sangrando.
*Leandro Vasques
Advogado criminal e mestre em Direito Penal pela UFPE.