“A cara a tapa” – Por Luis Sérgio Santos

Luis Sergio Santos é jornalista e professor na UFC

“Quem aceita colocar o pescoço na guilhotina e quem prefere comentar o resultado depois que a cabeça já caiu, eu respeito muito mais quem teve coragem de se expor”, aponta o jornalista Luis Sérgio Santos

Confira:

Pesquisa eleitoral no Brasil é uma maravilha.

Durante a campanha, aparece instituto para tudo: percentual, gráfico, tendência, projeção, empate técnico, virada, disparada. É um verdadeiro festival de números — e de especialistas em explicar qualquer resultado.

Mas aí chega a boca de urna.

E, de repente, muita gente descobre que o silêncio também pode ser uma metodologia.

O Datafolha, ao menos, continua disposto a colocar a cara a tapa. Publica a pesquisa quando a urna está prestes a abrir e aceita o risco de ser confrontado, poucas horas depois, com o resultado real.

Pode acertar. Pode errar. Pode passar vergonha. Faz parte.

O que não faz parte, para mim, é passar a campanha inteira cacarejando números e, na hora em que chega o momento decisivo, recolher as penas e desaparecer do terreiro.

Já tivemos Datafolha e Ibope encarando esse risco. Hoje, o Datafolha parece cada vez mais solitário nessa disposição de colocar reputação em jogo.

Então, viva o Datafolha! Aquele não bota o rabo entre as pernas na boca de urna.

Não porque seja infalível — nenhum instituto é.

Mas porque, entre quem aceita colocar o pescoço na guilhotina e quem prefere comentar o resultado depois que a cabeça já caiu, eu respeito muito mais quem teve coragem de se expor.

Pesquisa também é isso: método, margem de erro e, acima de tudo, coragem para assinar embaixo.

O resto é cacarejo.

Luis Sérgio Santos
Biógrafo e professor de Jornalismo na UFC

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