“Ceará cria uma versão perversa de ‘Os Trapalhões’” – Por Nicolau Araújo

“A música infantil que marcou gerações na voz de Xuxa – cabeça, ombros, joelhos e pés – foi empregada pelos trapalhões cearenses para alarmar uma única ocorrência na área da segurança pública”, aponta o jornalista Nicolau Araújo

Confira:

Tamanha foi a surpresa, ao ver a neta Hellena, de 2 anos de idade, dançando em frente à TV, durante o horário eleitoral. Tamanha foi a indignação ao ver o conteúdo da propaganda política do candidato à reeleição a deputado federal André Federal (PL), que se valeu de modo perverso de uma música infantil para apontar um caso de esquartejamento de uma vítima de homicídio em Fortaleza.

André é cria das redes sociais e adepto ao deboche e ao desprezo de tudo que possa lhe contrariar, como a ciência, o conhecimento, a igualdade de gênero e o respeito ao contraditório. Já se mostrou incapaz de encontrar algo bom em quem disputa com ele algum tipo de espaço ou poder, como ocorreu nos ataques ao ex-prefeito Sarto, hoje aliado por conveniência em uma nova disputa. A culpa não é mais do Sarto, agora é do Elmano.

Sem parâmetro de respeito ao próximo, quando o pai e pastor é refém de interesses políticos e de grandeza financeira e a mãe é “sujeito oculto” em suas redes sociais, até mesmo no Dia das Mães, André criou no Ceará uma versão perversa de “Os Trapalhões”, programa que em uma outra época de valores debochava de pessoas pretas, da homossexualidade e da discriminação de pobres e mulheres.

E assim como Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, André também montou o seu quarteto com Tancredo dos Santos, Abreu Junior e David Vasconcelos, todos candidatos a deputado estadual e todos sem qualquer ameaça à liderança de André, diante de limitações acadêmicas e financeira. O pai teve que ter o mandato de deputado estadual sacrificado em favor do novo grupo do filho. A desculpa foi uma candidatura ao Senado, contrariando qualquer percurso natural liderança/liderado, quando uma liderança não tem como eleger um liderado a um cargo maior que o seu. E as pesquisas estão aí para confirmar o desinteresse do filho na reeleição do pai à Assembleia Legislativa.

E a estreia do quarteto trapalhão não poderia ser pior…

A música infantil que marcou gerações na voz de Xuxa – cabeça, ombros, joelhos e pés – foi empregada pelos trapalhões cearenses para alarmar uma única ocorrência na área da segurança pública. O parlamentar que deveria defender os interesses da população cearense em Brasília, não atenta aos prejuízos ao turismo e ao desenvolvimento econômico, além de uma indireta apologia à força do crime organizado, ao induzir a população a um equivocado sentimento de poder das facções, quando na verdade é apenas maldade de pessoas sem valores humanos.

Sou da geração que cresceu rindo com Os Trapalhões de situações desfavoráveis a pessoas pretas, gays, pobres e discriminação à mulher. Mas é uma geração que se reinventou pela vergonha daquilo que lhe fez rir. E que hoje ensina aos filhos o respeito ao próximo.

Uma geração que se envergonha de jovens que cantam e dançam indiferentes à dor da família que teve um ente esquartejado…

Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido

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