“Onda de Apoios ao Flávio Expõe o Colapso da Candidatura de Lula” – Por João Arruda

João Arruda, professor aposentado da UFC e sociólogo. Foto: Arquivo Pessoal

Com o título “Onda de Apoios ao Flávio Expõe o Colapso da Candidatura de Lula”, eis artigo de João Arruda, sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará. “O que o lulopetismo mais temia começava a se tornar realidade: a constatação de que a sua velha e carcomida hegemonia encontrava-se em estado terminal, e, impotente, testemunhava o surgimento de uma nova e vigorosa força política disposta a mudar os rumos do Brasil”, expõe o articulista

Confira:

O que presenciamos no primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil foi muito mais do que a mera confirmação de expectativas: tratou-se de um resultado avassalador, um verdadeiro divisor de águas na política nacional. A noite de domingo marcou a explosão definitiva de um sentimento antissistema que, embora antecipado por analistas, se materializou com intensidade surpreendente, superando as projeções mais otimistas. A onda que tomou conta das urnas revelou que a população chegou ao limite da tolerância, exigindo mudanças profundas e rejeitando a velha ordem de arranjos de poder, desgastada pela ineficiência, pela corrupção e pela truculência, em clara oposição com os anseios da sociedade brasileira.

Esse tsunami eleitoral abalou os alicerces do lulopetismo, evidenciando o esgotamento de um projeto carcomido que impôs à sociedade brasileira um preço altíssimo por sua permanência. O resultado também trouxe um recado contundente ao ativismo político do Supremo Tribunal Federal, que há anos extrapola suas competências e invade os limites constitucionais dos demais poderes. A renovação do Senado reforçou essa mensagem: a sociedade exige responsabilização penal daqueles que ultrapassaram seus limites constitucionais, perseguindo, prendendo e condenando opositores conforme conveniências do sistema, corroendo a segurança jurídica e minando a confiança institucional.

Nas urnas, os eleitores foram inequívocos: não aceitam mais a ditadura da toga, as manipulações institucionais e clamam por um Brasil livre de amarras ideológicas ultrapassadas, cujo aparelhamento corrói os fundamentos da democracia.

Mais do que uma vitória eleitoral, o que emergiu das urnas foi o nascimento de um novo pacto social. O Brasil começa a abrir caminho para um projeto de desenvolvimento econômico que não exclua, mas incorpore; que faça o progresso caminhar lado a lado com a justiça social; que preserve a liberdade e devolva à política sua verdadeira finalidade: servir ao interesse público e transformar concretamente a vida dos brasileiros. O tsunami das urnas não apenas abalou estruturas envelhecidas e corroídas do lulopetismo; abriu uma nova janela de esperança para a construção de um país mais forte, mais justo, próspero e, sobretudo, verdadeiramente livre.

E o lulopetismo sentiu o recado. Ainda na noite de domingo, em São Paulo, o presidente Lula reuniu-se com aliados no Renaissance Hotel para avaliar os resultados eleitorais. Sem uma justificativa convincente para a derrota desmoralizante, o ambiente lembrava um velório: rostos cabisbaixos, lágrimas discretas e um silêncio pesado que contrastava com a euforia dos vencedores. Nessa mesma noite, Walter Pomar, militante histórico e membro do Diretório Nacional do PT, publicou um artigo nas redes sociais descrevendo o clima da reunião e prevendo a derrota: “O clima era de angústia e pânico: esses foram, provavelmente, os sentimentos predominantes entre as pessoas que acreditavam em vitória de Lula no primeiro turno, ao acompanhar a apuração na noite de domingo, 4 de outubro. Parte deste pânico decorre da atitude irresponsável de dirigentes que não tiveram a coragem de falar a verdade sobre a situação eleitoral. Verdade que incluía, entre outros, a possibilidade de uma ‘virada colombiana’.” Ao final da apuração, confirmou-se o segundo turno, mas em condições extremamente desfavoráveis para o governo.

Ao amanhecer da segunda-feira, o clima no mercado era de celebração, em nítido contraste com o humor petista. O Ibovespa abriu em forte alta, ultrapassando os 209.700 pontos, o maior patamar da série histórica. As ações da Petrobras tiveram uma valorização de 6%, o dólar recuou para abaixo de R$ 5, enquanto no exterior os ativos brasileiros dispararam. O EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, avançou mais de 10%. A imprensa internacional destacou amplamente a derrota de Lula, interpretando-a como sinal do nascimento de uma nova era de prosperidade para o Brasil.

Mas as notícias favoráveis a Flávio Bolsonaro não vinham apenas do mercado. Ainda na segunda-feira, o Instituto Quaest divulgou uma pesquisa sobre a migração dos votos dos candidatos derrotados no primeiro turno, trazendo novos dados relevantes para a disputa. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado, 43% declararam que migrariam para Flávio, contra apenas 19% que escolheriam Lula. Entre os eleitores de Renan Santos, a diferença é ainda mais expressiva: 60% afirmaram que votariam em Flávio, enquanto apenas 11% optariam por Lula. Já entre os eleitores de Augusto Cury, Flávio também aparece à frente, com 34%, contra 23% de Lula. Os números revelados pela Quaest mostram, portanto, uma tendência consistente de transferência dos votos dos candidatos derrotados em direção a Flávio Bolsonaro.

No mesmo dia, em meados da tarde, fomos surpreendidos pelo inesperado pronunciamento do ex-presidente Michel Temer — uma das principais lideranças do MDB e figura de reconhecida influência junto a importantes setores do sistema político — declarando seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Em voz pausada, mas com uma mensagem firme e contundente, Temer dirigiu um recado direto àqueles que insistem em ignorar a vontade popular, inclusive setores do Executivo e do STF. Suas palavras não deixaram margem para ambiguidades: “As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança, quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito com os demais. Deu-se a renovação. Renovação que apareceu fortemente na composição do Congresso Nacional e na força da candidatura à Presidência da República, que chega ao segundo turno em primeiro lugar. A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, conexão. E conexão é Flávio”

Na esteira do pronunciamento de Temer, a sucessão de apoios a Flávio Bolsonaro ganhou enorme velocidade e dimensão política. Ainda na tarde de segunda-feira, Romeu Zema rompeu o silêncio e anunciou seu apoio a Flávio e, em entrevista à GloboNews, Cleitinho, governador eleito de Minas Gerais, deixou claro que também estará ao lado do candidato no segundo turno. No final da tarde, foi a vez de Ronaldo Caiado anunciar sua adesão, informando que formalizaria o apoio na tarde de terça-feira, ao lado de sua esposa, eleita para o Senado Federal, do governador eleito de Goiás e de dezenas de prefeitos e lideranças de Goiás.

Ciro Nogueira, presidente do PP, por sua vez, anunciou que o partido se reuniria com o União Brasil, na quarta-feira, para definir e anunciar o apoio a Flávio. Tarcísio de Freitas, uma das principais lideranças dos Republicanos, também confirmou que as negociações para o apoio da legenda estavam em andamento. Em poucas horas, o que parecia ser apenas uma sequência de adesões começou a adquirir os contornos de uma ampla convergência política em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.

Para desespero do ex-presidiário, que permanece isolado e sem conquistar qualquer adesão de peso, o cenário político começava, em poucas horas, a revelar uma realidade que o lulopetismo e seus aliados tentavam desesperadamente negar: a onda de mudança que saiu das urnas não era apenas um fenômeno eleitoral, mas uma poderosa força política em expansão. A cada nova adesão, essa onda ganhava corpo e direção, transformando-se em uma ampla convergência nacional em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. O que o lulopetismo mais temia começava a se tornar realidade: a constatação de que a sua velha e carcomida hegemonia encontrava-se em estado terminal, e, impotente, testemunhava o surgimento de uma nova e vigorosa força política disposta a mudar os rumos do Brasil.

*João Arruda

Sociólogo e professor aposentado da Universidade Federal do Ceará.

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Respostas de 2

  1. O que mais me pegou no texto do professor foi trazer o Walter Pomar, gente do próprio PT, falando em “angústia e pânico” e em dirigentes sem coragem de dizer a verdade. Quando a crítica vem de dentro, não dá pra culpar a oposição. E a Quaest reforça: até entre os eleitores do Augusto Cury o Flávio sai na frente, 34% a 23%. Será que o PT ainda escuta alguém fora da própria bolha?

  2. Essa analise bolsonarista não condiz com a verdade. Lula continua sendo a maior liderança politica do Brasil, onde para tentar derrotá-lo, se unem todos que representam o que há de mais atrasado e extremista no nosso país. O domínio via redes das mente dos mais pobres, “tornando-os em pobres de direita” é uma realidade a ser enfrentada, mas nada que não possa ser mudada. Agora a história é outra.
    Essa ONDA de partidos se juntando com a Flávio Rachadinha, é em busca de “cargos” caso Ele vença, mas esse partidos não influenciam mais em nada, nem com o fundo partidário e muito menos em tempo de TV e Rádio.
    Lula está com o povo nas ruas pedindo votos e é isso que vai levá-lo a vença em mais BATALHA em defesa do nosso BRASIL.

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