“Preocupação maior está no fato de Tancredo querer impor um pensamento igual ao seu, quando na realidade não tem noção o que seria o Pensamento”, aponta p jornalista Nicolau Araújo
Confira:
Eu já estava me acostumando com a eleição do vereador de Caucaia, Tancredo dos Santos (PL), a deputado estadual. Também tive que recorrer ao princípio da democracia, quando todo o poder emana do povo, para digerir a maior votação à legislatura 2027/2030. Mas tudo foi vomitado na primeira entrevista do campeão de votos à Assembleia Legislativa do Ceará (Alce), nessa terça-feira (6), quando Tancredo sugeriu que a população precisa sofrer mais e que mais gente tem que morrer, porque seu candidato a governador, Ciro Gomes (PSDB), não foi eleito, assim também como não foram eleitos os dois candidatos da direita ao Senado, Capitão Wagner (União) e Pastor Alcides (PL).
Não é do atual período eleitoral que tenho acompanhado Tancredo, mas desde junho de 2021, quando encenou ao lado do vereador Inspetor Alberto (PL) a caça ao criminoso Lázaro Barbosa, em Goiás, tratado em denúncia do Ministério Público como “busca quixotesca”, referente ao lunático Dom Quixote, personagem do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616).
Um pouco além desse período, cheguei a questionar o próprio deputado federal André Fernandes (PL), responsável por cada voto de Tancredo, às exceções de uns 25 (familiares e assessores), sobre o grau de contribuição para o grupo. Servidão e devoção falaram mais alto.
E depois disso, verificamos uma atrocidade atrás da outra: chute nas costas de um cidadão de Caucaia, agressão respaldada pela arma na cintura de Inspetor Alberto; ameaça de voz de prisão contra um vereador de Caucaia (preparem as cadeias); invasão e fake news a prédios públicos; desrespeito a uma deputada estadual ao apresentar uma cueca suja para que ela lavasse; apropriação de materiais da Secretaria de Patrimônio de Caucaia, para que ele mesmo tapasse buracos; rompimento político com o prefeito Naumi Amorim, após a exoneração de sua esposa como servidora desconhecida dos próprios funcionários da Saúde de Caucaia; enriquecimento incompatível com suas funções…
Mas a preocupação maior não está na falta de preparo do homem que anteriormente se orgulhava de sua profissão de auxiliar de eletricista (hoje se apresenta profissionalmente como empresário), tampouco no ainda “discurso quixotesco” de libertar o Ceará. Preocupação maior está no fato de Tancredo querer impor um pensamento igual ao seu, quando na realidade não tem noção o que seria o Pensamento.
“É preciso morrer mais 12 mil pessoas”… e isso é só o começo.
Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido