Pinacoteca do Ceará inscreve para nova edição do Ateliê de Saberes

Fachada da Pinacoteca do Ceará, Foto: Arquivo

Estão abertas, até o dia 23 de outubro, as inscrições para o programa de formação Ateliê de Saberes: construções coletivas em arte-educação, da Pinacoteca do Ceará. O público prioritário para a seleção são profissionais da educação que atuam em instituições públicas de diferentes níveis de ensino formal e não-formal.

As inscrições podem ser realizadas gratuitamente, via formulário online disponível aqui. São 35 vagas e o resultado será divulgado no dia 28 deste mês no site e nas redes sociais do museu.

O programa tem o patrocínio do Fundo Museu Escola Família Hees e, nesta nova edição, traz o tema “Transversalidades – Museus e escolas”, informa a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do Estado.

A formação vai abordar os encontros acionados pelas Artes Visuais com a Educação, a partir dos conteúdos encontrados em museus, no âmbito da mediação, e nas escolas, no contexto das aulas de artes e projetos culturais.

Módulos do Programa

O programa é composto por cinco módulos presenciais, ao longo de cinco sábados, entre outubro e novembro de 2026, totalizando 25 horas de formação. Os quatro primeiros módulos ocorrerão das 13h às 18h, na Pinacoteca do Ceará. O último módulo acontece no Museu Indígena Kanindé, no município de Aratuba. Neste dia, a saída da Pinacoteca será às 8h e a atividade no local acontece das 10h às 15h. A metodologia da formação prevê, a cada semana, apresentação do tema, conversa e experimentações práticas a partir dos eixos temáticos. Ao final, as pessoas participantes receberão certificado.

Os módulos desta segunda edição do Ateliê de Saberes em 2026 serão conduzidos por educadores, pesquisadores e artistas de várias partes do país e do Ceará. A iniciativa busca debater atravessamentos sociais, políticos e artísticos nos processos de ensino formal e não formal da arte moderna e contemporânea; aprofundar a discussão sobre o conceito de Museu-Ateliê e incentivar novas práticas artísticas e pedagógicas nas ações dos educadores.

A formação será iniciada no dia 31 de outubro, com o módulo “Entre museus e escolas: construindo percursos em arte-educação”, ministrado pela professora e artista Luana Minari, que atua entre a educação e a arte desde 2004, quando iniciou sua trajetória como educadora em museus e espaços de ensino não formal. Ela propõe uma reflexão sobre as relações entre museus, escolas e ateliês, reconhecendo as particularidades desses espaços e as possibilidades de diálogo e aprendizagem que se constroem entre eles.

A programação segue no sábado seguinte, dia 7 de novembro, com a professora e pesquisadora Nathália Vieira, que foi coordenadora de arte educação do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), em Recife (PE). Ela vai ministrar o módulo “O que pode a curadoria: entre modos de ver, narrar e aprender”, discutindo a curadoria e suas aproximações com práticas educativas, entendendo que a prática curatorial não é apenas uma prática de museus, mas um lugar de produção de narrativas, seleção e construção de memórias, construção de relações e experiências.

Já “Experiências expansivas: geotintas na partilha de saberes”, módulo com o artista visual, gravador e educador Robnei Bonifácio, será realizado no dia 14 de novembro. Ele vai apresentar o projeto artístico-educativo “Aula de Boa”, realizado há 10 anos na Baixada Fluminense, e debater como a arte-educação pode ser instrumento de enfrentamento de violências sistêmicas e caminho para uma ética amorosa. Por meio da pintura com pigmentos terrosos naturais, os participantes serão instigados a refletir sobre experiências individuais, construção de memórias e formação de comunidades.

O penúltimo módulo ocorre no dia 21 de novembro, com o tema “Do reuso ao relevo: oficina de obras táteis”, ministrado pelo professor e pesquisador Paulo W. Lima, indígena em retomada pela Nação Kariri, no Sertão de Ocara, que também integra o coletivo Kintal de Afetos. A proposta é oferecer uma experiência prática de obras táteis com materiais de baixo custo, reutilizáveis ou recicláveis. A atividade vai convidar as pessoas participantes a explorar texturas, formas, volumes e relevos, transformando materiais do cotidiano em recursos artísticos, sensoriais e pedagógicos.

Encerrando esta edição do Ateliê de Saberes, no último sábado de novembro, dia 28, o módulo conduzido por Suzenalson Kanindé levará os participantes a uma visita ao Museu e à Escola Indígena Kanindé de Aratuba, com direito à trilha e almoço no local. Na vivência, os participantes irão conhecer o Museu Indígena Kanindé, localizado na aldeia Sitio Fernandes, no município de Aratuba, e ter contato com o acervo que se relaciona historicamente com a luta pelo reconhecimento étnico Kanindé, a salvaguarda e transmissão dos conhecimentos e práticas culturais. Além disso, os professores serão apresentados às abordagens, metodologias e conteúdos trabalhados na Escola Indígena Manoel Francisco dos Santos, fruto de ação autônoma da comunidade.

Formadores

*Luana Minari (SP) é professora e artista, formada em Artes Visuais, mestranda em Fundamentos do Ensino da Arte (ECA-USP), atua entre a educação e a arte desde 2004, quando iniciou sua trajetória como educadora em museus e espaços de ensino não formal. Desde 2012, ministra aulas de artes visuais no ensino formal para os segmentos do Ensino Infantil, Fundamental e Ensino Médio. Possui experiência em formação de professores, coordenação pedagógica em projetos culturais e assessoria didático-pedagógica para materiais educativos. Integra o coletivo Ocupeacidade, plataforma de produção e experimentação gráfica em processos autorais e colaborativos em diálogo com a cidade, e o Parquinho Gráfico (Casa do Povo/SP), onde desenvolve projetos, oficinas e mutirões de cartazes.

*Nathália Vieira (PE) possui graduação em Artes Visuais (2014), especialização em Educação e Ludicidade (2015) e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, Culturas e Identidades (2022, UFRPE/FUNDAJ). Atua na área de Artes Visuais com ênfase em arte-educação desde 2012, executando pesquisas, formações, ensino/oficinas, mediações culturais, produções e curadorias, em diversos espaços. Foi coordenadora de arte educação do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam) e professora Substituta no IFPE – Campus Olinda, no Curso Técnico em Artes Visuais.

*Robnei Bonifácio (RJ) é artista visual, gravador e educador brasileiro. Transitando entre o Rio de Janeiro e Nova Iguaçu, sua obra utiliza desenhos e pinturas para explorar o espaço urbano e a vida nos subúrbios, com foco na produção de afetos e no fortalecimento da identidade comunitária. Formado em Gravura pela Escola de Belas Artes e mestre em Linguagens Visuais pela UFRJ, Robnei também atua na área de arte-educação. Ele é o fundador do projeto “Aula de Boa”, um projeto artístico – educativo gratuito que nasceu na Baixada Fluminense, no bairro de Boa Esperança, em Nova Iguaçu, oferecendo oficinas de desenho para crianças, adolescentes, mães e familiares.

*Paulo W. Lima (CE) é doutorando em Filosofia pela UNIFESP, mestre em Filosofia pela UFC e professor de Filosofia pela UECE. Foi professor e colaborador no Programa Transpassando UECE, embaixador da Juventude pela Caixa Seguradora e UNODC, educador no Museu da Cultura Cearense (MCC), técnico em Finanças, arte-educador, produtor cultural e integrante do grupo juvenil JUSCMOM. É integrante do coletivo Kintal de Afetos. Indígena em retomada pela Nação Kariri do Sertão de Ocara-CE.

*Suzenalson Kanindé (CE) é indígena Kanindé. Graduado em Licenciatura Intercultural Indígena LII PITAKAJÁ – Universidade Federal do Ceará (UFC, 2016) e mestre em Humanidades pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab, Ceará, 2021). Atualmente é doutorando em História Social pela UFC. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Patrimônio e Memória – GEPPM/UFC. Coordenador de Ações Culturais no Ponto de Cultura e Memória: Museu Indígena Kanindé. Articulador da Rede Indígena de Memória e Museologia Social no Brasil. Membro titular no Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Membro suplente no Conselho Estadual de Políticas Culturais no Estado do Ceará (CEPC). Membro da Rede Indígena de Memória e Museologia Social (Núcleo Ceará) no Comitê Gestor de Políticas Culturais Indígenas no Ceará / SECULT/CE.

SERVIÇO

*Inscrições abertas para Ateliê de Saberes: construções coletivas em arte-educação via formulársio aqui.

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