“Livros e árvores a mãos cheias: flores da Fundação Sintaf” – Por Luiz Carlos Diógenes de Oliveira

Luiz Carlos Diógenes é da Fundação SINTAF.

Com o título “Livros e árvores a mãos cheias: flores da Fundação Sintaf”, eis artigo de Luiz Carlos Diógenes de Oliveira, diretor de Cultura e Cidadania da Fundação Sintaf de Ensino e Pesquisa.

Confira:

“Bendito o que semeia / Livros… Livros à mão cheia/ E manda o povo pensar!”. Versos de condoreirismo emblemático, mirando de longe a vereda para o caminhar autônomo da liberdade humana. Castro Alves, qual o Condor que abre as asas sobre nós, lança, do azul infinito, sementes de cidadania cultural. A Fundação Sintaf aposta neste caminho sinalizado pelo vate. Apenas o atualizaria: Bendito o que semeia / Livros e árvores… Livros e árvores a mãos cheias / E ecologiza a cabeça do povo para o seu destino pensar.

O poeta baiano semeou livros para fazer o povo pensar. O Padroeiro da Ecologia semeou pensamentos ecológicos para integrar seres humanos à teia da vida. Ambas as semeaduras, de Castro Alves há mais de 150 anos, e de São Francisco de Assis, há 800 anos, são em 2026 necessárias e urgentes para salvar uma Humanidade sem a flor da cultura e, para piorar, sem a cultura da flor. Esta simbiose de ausências, livros e árvores, planta sementes de flor negra que se esmagam na mesma ignorância. Embotada a consciência ecocultural, não se colhem os frutos da cidadania plena concentrada nos direitos à cultura e ao meio ambiente em equilíbrio dinâmico. Por não se nutrir destes frutos, vagam obesos esqueletos pelos ressentidos desertos da alma, em campos carbonizados.

O Povarello de Assis, no “Cântico das Criaturas”, entrou em comunhão ecológica profunda com todos os viventes e seu meio ambiente, glorificando a casa comum planetária: “Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas… / Louvado sejas, ó meu Senhor, pela nossa irmã, / a mãe Terra, que nos sustenta e governa / e produz variados frutos, com flores coloridas, e verduras.”

Papa Francisco, papa ecologista, oito séculos depois, ensina e aponta, com profundidade científica e religiosa, o caminho para recuperar a flor da cultura humana na cultura da flor da Natureza. “Laudato si’, sobre o cuidado da casa comum”, encíclica que alerta, como um grito lancinante, para os princípios franciscanos da ecologia profunda, que já são acolhidos e pacificados pelos paradigmas científicos das ciências da Natureza, da Física Quântica, da Química e da Biologia, compreensivas da interdisciplinaridade do todo ecológico. Por ausência de livros que guardam sabedorias para humanos viverem em paz e árvores para sobreviverem em sociedade planetária, o Papa adverte: “A par do patrimônio natural, encontra-se igualmente ameaçado um patrimônio histórico, artístico e cultural… a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior”.

A Fundação Sintaf, pela mão de Castro Alves e pela mão de Franciscos, lança, do alto da sua vontade política e da sua responsabilidade ética, sementes de cidadania ecocultural em seus projetos de inserções nos ambientes sociais de cultura e ecologia. Em abril deste ano, 2026, em Sessão Solene na Câmara Municipal de Fortaleza, veio a público o livro “À nossa Fortaleza”. Crônicas, poemas, artes visuais, cordel, música em uma única obra. Foi assim que a Fundação Sintaf, com um livro de arte para deleite estético e provocação ao pensamento reflexivo, homenageou Fortaleza em seu tricentenário. Em anos imediatamente anteriores outras obras histórico-literárias vieram à baila, pertinentes à Confederação do Equador e à heroína nacional, radicada no Crato, Bárbara de Alencar. Livros à mão cheia para o prazer e para o pensar.

Pela dimensão ecológica, a Fundação Sintaf, em 21 de setembro de 2026, Dia da Árvore, traz à luz nos jardins da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) o projeto “Adote um Ipê”. Cinco ipês plantados são os novos residentes da entidade. Este projeto alarga a pisada ecológica da Fundação Sintaf e não mais a restringe a simbólicas doações de mudas por ocasião do 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente. Na pegada dos Franciscos, em convicção ideológica e responsabilidade socioambiental, o projeto não tem fim. Árvores à mão cheia para fazer pensar a cabeça humana ao ponto da sua ecologização, como o fizera nosso gênio Belchior: “Vede o pé de Ipê / ApenasMENTE flora / RevolucionáriaMENTE / Apenso ao pé da serra”.

Luiz Carlos Diógenes de Oliveira

Diretor de Cultura e Cidadania da Fundação Sintaf

lucadiogenes@hotmail.com

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