Com o título “A Força da Mobilização”, eis artigo de Suzete Nocrato, jornalista e mestre em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará. ” A mobilização nas ruas e nas redes sociais reacendeu a esperança na vitória de Lula”, expõe a articulista.
Confira:
A derrota de Lula no primeiro turno das eleições presidenciais e as primeiras declarações de Flávio Bolsonaro, poucas horas após o resultado, nas quais prometeu mudar a Constituição, despertaram a juventude para os riscos que a democracia brasileira corre. Essa parcela importante da sociedade foi às ruas e levou milhares de pessoas a manifestações em defesa da reeleição do presidente.
Diariamente, capitais e cidades brasileiras são tomadas por passeatas, caminhadas e encontros, alguns convocados por grupos organizados, outros surgidos espontaneamente. Não sei quanto a você, caro leitor ou leitora, mas sinto a mesma energia das primeiras campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente a de 2002, quando ele chegou pela primeira vez à Presidência da República. Amparado por uma ampla base de apoio social, derrotou no segundo turno o economista e professor José Serra (PSDB). O perfil daquele adversário era muito diferente do perfil do candidato do PL, cuja candidatura tem na disseminação de mentiras uma de suas principais marcas.
Vinte e quatro anos separam as duas eleições, e muita coisa mudou na forma de fazer campanha. Em 2002, um dos principais espaços de divulgação era o Horário Eleitoral Gratuito. Hoje, as redes sociais ocupam esse lugar. Naquela época, as pessoas faziam bandeiraços nos cruzamentos e adesivaços nos carros. Os jovens também tiveram participação ativa. Agora, voltam a assumir um papel importante, mobilizando pessoas e compartilhando informações sobre as duas candidaturas.
Paralelamente, assistimos a uma verdadeira disputa nas redes sociais. Até o fim do primeiro turno, a direita e o bolsonarismo tinham forte presença nesses espaços. Agora, o cenário mudou. Os apoiadores de Lula ganharam terreno, impulsionados também pela atuação de parlamentares que sabem usar essas plataformas para mobilizar um grande número de pessoas.
Cito três exemplos. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) convocou a militância a intensificar a campanha de Lula neste segundo turno. Ela criou, inclusive, o canal no WhatsApp Tropa da Erika Hilton com Lula, para ampliar a mobilização dos apoiadores. Desde o início dos anos 2000, o Brasil vem acompanhando o crescimento da influência das redes sociais na política. Nas eleições de 2018 e, agora, nas de 2026, essa força se tornou incontestável. Pessoas sem experiência anterior em cargos políticos conseguiram se eleger para o Congresso Nacional e até para o governo de seus estados, em muitos casos graças à capacidade de comunicação e mobilização nesses ambientes.
Conhecedor desse universo, o deputado federal André Janones (Rede-MG) criou o Exército do Lula, também no WhatsApp. Na noite desta terça-feira, Janones, que coordena o canal sozinho, convocava os chamados ‘soldados do Lula’ a ampliar o número de seguidores para 7 milhões. Até ontem, o número era de 5,4 milhões. Janones utiliza a comunicação direta com o público para divulgar pautas, mobilizar seguidores e cobrar respostas do poder público.
Aqui em Fortaleza, o deputado estadual eleito Léo Suricato (PSOL-CE) também tem se destacado. Com uma linguagem acessível e bem-humorada, lidera manifestações na periferia da capital e recorre às redes sociais para ampliar o alcance de suas ações. A mobilização nas ruas e nas redes sociais reacendeu a esperança na vitória de Lula.
*Suzete Nocrato
Jornalista, mestre em Comunicação e escritora
suzete.nocrato@gmail.com