“Resultado da eleição pode surpreender o mundo” – Por Luiz Henrique Campos

Lula e Flávio Bolsonaro. Lula (foto Ricardo Stuckert) e Flávio (Divulgaçao)

Com o título “Resultado da eleição pode surpreender o mundo”, eis a coluna “Fora das 4 Linhas”, assinada por Luiz Henrique Campos, jornalista e psicólogo. “É verdade que virada presidencial dessa magnitude seria inédita no país. Mas circunstâncias inéditas também exigem análises que não se limitem à repetição de padrões históricos. A política é dinâmica, e eleições polarizadas podem reservar movimentos inesperados justamente quando os prognósticos parecem consolidados”, expõe o colunista.

Confira:

A três dias do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, possibilidade que até pouco tempo parecia remota começa a ganhar espaço no debate político, que é a de virada capaz de surpreender não apenas o Brasil, mas também o mundo. A vitória expressiva de um dos candidatos no primeiro turno levou analistas a projetarem disputa praticamente definida. A leitura predominante era a de que a vantagem conquistada nas urnas dificilmente seria revertida. Afinal, historicamente, o candidato que chega à etapa decisiva em posição confortável carrega consigo capital político importante.

Ocorre que esta eleição tem características próprias. Nunca o Brasil viveu disputa presidencial com tamanha polarização e, simultaneamente, com contingente tão significativo de eleitores indecisos ou dispostos a rever suas escolhas. O ambiente político, longe de produzir certezas, continua marcado por movimentos que desafiam as previsões mais apressadas. Embora as pesquisas ainda apontem a liderança do candidato que venceu o primeiro turno, os indicadores divulgados nos últimos dias revelam dinâmica que merece atenção. A redução da diferença entre os concorrentes, os movimentos nos índices de rejeição e as avaliações sobre o governo compõem cenário que, sem garantir mudança no resultado, torna menos prudente qualquer prognóstico definitivo.

Há, nesse contexto, elemento que não pode ser desprezado, que é o volume de campanha. A mobilização das militâncias, a presença dos candidatos nas ruas, a comunicação digital e a capacidade de conquistar eleitores que ainda não decidiram seu voto podem adquirir peso determinante na reta final. Em disputa apertada, cada movimento pode fazer diferença. Também é preciso considerar que a fotografia captada pelas pesquisas não representa, necessariamente, o retrato exato do dia da votação. Sondagens são instrumentos relevantes para compreender tendências, mas estão sujeitas às oscilações do eleitorado e às limitações inerentes a qualquer levantamento. Transformá-las em sentença definitiva é ignorar a própria natureza da disputa democrática.

É verdade que virada presidencial dessa magnitude seria inédita no país. Mas circunstâncias inéditas também exigem análises que não se limitem à repetição de padrões históricos. A política é dinâmica, e eleições polarizadas podem reservar movimentos inesperados justamente quando os prognósticos parecem consolidados. Isso não significa afirmar que a reversão seja o desfecho mais provável. Significa reconhecer que há sinais suficientes para impedir que ela seja tratada como impossível. Entre a liderança nas pesquisas e a confirmação nas urnas existe caminho que só se encerra quando os votos são contabilizados.

Se o resultado contrariar as expectativas predominantes, a repercussão ultrapassará as fronteiras brasileiras. O país, uma das maiores democracias do planeta, voltará ao centro das atenções internacionais, e o desfecho será analisado à luz das transformações políticas que atravessam diferentes sociedades. A poucos dias da decisão, portanto, o mais sensato é trocar as certezas pela prudência. A eleição está aberta a movimentos capazes de alterar seu rumo, e o eleitor continua sendo o protagonista dessa história. No domingo, as urnas darão a resposta. Até lá, convém não confundir vantagem com vitória consumada, nem tendência com destino. Porque, desta vez, o resultado da eleição brasileira pode surpreender o mundo.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista, psicólogo e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”, do Blogdoeliomar.

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