Com o título “Cariri: força econômica, voz política menor”, eis artigo de Leopoldo Martins, advogado, membro consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará. “Nas eleições de 2026, a representação do Cariri na Assembleia Legislativa caiu de quatro para três deputados. Na Câmara Federal, permaneceu em três. Os números não medem a qualidade dos mandatos, mas alertam para a importância de representação atuante nas decisões sobre orçamento, infraestrutura, saúde e educação”, expõe o articulista.
Confira:
O Cariri produz conhecimento, movimenta a economia e projeta a cultura cearense para além de suas fronteiras. Mas, na hora de dividir o poder, sua grandeza parece encolher. A redução da bancada estadual e a ausência de liderança regional na chapa do Executivo levantam a pergunta: por que uma das áreas mais importantes do Ceará não transforma bem sua força em protagonismo político?
Nas eleições de 2026, a representação do Cariri na Assembleia Legislativa caiu de quatro para três deputados. Na Câmara Federal, permaneceu em três. Os números não medem a qualidade dos mandatos, mas alertam para a importância de representação atuante nas decisões sobre orçamento, infraestrutura, saúde e educação.
Com o Governo associado ao Maciço de Baturité e a Vice-Governadoria ao Sertão dos Inhamuns, o Cariri ficou fora da linha de frente do Executivo. Não se trata de reivindicar cargos por origem geográfica, mas de questionar por que uma região estratégica não conseguiu tornar sua presença indispensável.
O Anuário do Ceará, publicado pelo Grupo de Comunicação O POVO e pela Fundação Demócrito Rocha, destaca a importância regional do Cariri. A URCA, o Geopark Araripe e o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens revelam sua força científica. Saúde, comércio, aeroporto, Expocrato, Festa do Pau da Bandeira e turismo religioso de Juazeiro do Norte reforçam seu peso econômico e cultural.
A responsabilidade também é das próprias lideranças. Fragmentação, rivalidades municipais e projetos individuais enfraquecem a negociação. Sem prioridades comuns, a força eleitoral se dispersa.
O Cariri precisa de uma agenda suprapartidária para investimentos, ciência, saúde, educação e mobilidade, além de lideranças capazes de disputar espaços majoritários. Não precisa de privilégio; precisa de voz, articulação e projeto.
A pergunta decisiva não é se a região merece um cargo, mas se suas lideranças conseguirão organizar sua potência para que suas demandas sejam ouvidas, qualquer que seja o partido no poder. Quem ajuda a mover o Ceará não pode assistir de longe às decisões que definem seu futuro.
*Leopoldo Martins
Advogado, membro consultivo da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB e membro titular da Comissão Eleitoral da OAB do Ceará.