“O Tesouraço de Flávio é retrocesso para a Economia Brasileira” – Por Acrísio Sena

Acrísio Sena é historiador e ex-deputado estadual.

Com o titulo “O Tesouraço de Flávio é retrocesso para a Economia Brasileira”, eis artigo de Acrísio Sena, historiador e ex-deputado estadual. “O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, sim, mas não podemos transformar quem mais precisa das políticas públicas na conta a ser paga. É preciso perguntar: como um país pode prosperar cortando empregos, renda e investimentos?”, expõe o articulista.

Confira:

A dois dias das eleições, é essencial avaliar o que representa o “tesouraço” de Flávio Bolsonaro. Cortar R$ 194 bilhões dos gastos públicos não significa prosperidade para o país. Segundo estudo do Dieese, a medida pode significar 2,2 milhões de desempregados, além de um arroxo salarial de R$ 68,7 bilhões, e pode impactar programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular.

O estudo, elaborado a pedido das centrais sindicais, dá conta de que o chamado “tesouraço”, em vez de gerar economia e desenvolvimento, pode representar, na prática, menos emprego e menos dinheiro circulando no país. Pior: o impacto não ficaria restrito aos trabalhadores que perderiam oportunidades. Conforme o Dieese, o corte pode retirar R$ 203,1 bilhões da economia já em 2027 e reduzir o PIB em 1,55% em relação ao cenário sem o ajuste.

Além desses impactos, a queda da atividade econômica também atingiria a arrecadação: seriam R$ 46,8 bilhões a menos em impostos. Ou seja, corta-se para economizar, mas a própria retração da economia acaba reduzindo parte do ganho fiscal pretendido.

Há ainda uma questão social que não pode ser ignorada. Na simulação apresentada pelo Dieese, 51% dos cortes recairiam sobre transferências de renda, alcançando despesas relacionadas à Previdência, ao BPC, ao seguro-desemprego e ao abono salarial. Isso significa colocar no centro do ajuste aposentados, pensionistas, desempregados, pessoas com deficiência e idosos de baixa renda.

O Brasil precisa de responsabilidade fiscal, sim, mas não podemos transformar quem mais precisa das políticas públicas na conta a ser paga. É preciso perguntar: como um país pode prosperar cortando empregos, renda e investimentos?

*Acrísio Sena

Historiador e ex-deputado estadual.

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