“Futuro governo será o mais difícil para Lula” – Por Luiz Henrique Campos

Lula e o futuro do País. Foto: Reprodução Blogdoeliomar

Com o título “Futuro governo será o mais difícil para Lula”, eis a coluna “Fora das 4 Linhas”, assinada por Luiz Henrique Campos, jornalista e psicólogo. “Lula sabe que o prestígio conquistado nas urnas não garante governabilidade, assim como a experiência acumulada não elimina erros nem substitui resultados. Seu maior desafio será transformar a força simbólica de sua vitória em entregas concretas para a população.”, expõeo colunista 

Confira:

A vitória de Lula para um quarto mandato presidencial é daquelas que entram para a história. Mas seria erro imaginar que o resultado das urnas representa o fim dos problemas ou a abertura de caminho tranquilo para o presidente. Pelo contrário, os próximos quatro anos prometem ser de grandes desafios. A polarização política continuará sendo marca do país e a derrota de Flávio Bolsonaro, embora traumática para o campo conservador, não significa o desaparecimento da força política que o sustenta. Quase metade dos eleitores escolheu o adversário, revelando que o Brasil permanece dividido e que a oposição continuará forte, dentro e fora das instituições.

No Congresso Nacional, o cenário tampouco é favorável. Com composição majoritariamente inclinada à direita, o Legislativo deverá impor dificuldades à agenda do Palácio do Planalto. Negociar, ceder e construir maiorias serão tarefas permanentes. Lula conhece esse jogo, mas a margem de manobra poderá ser menor, exigindo habilidade redobrada na articulação política. Há, ainda, cobrança que não poderá ser adiada que é a questão da segurança pública. Os índices de violência, o avanço do crime organizado e a sensação de insegurança da população exigem respostas concretas. Não bastará anunciar medidas ou transferir responsabilidades aos estados.

O governo precisará demonstrar, mais do que já o faz, capacidade de coordenação, apresentar resultados e convencer o cidadão de que sua segurança é prioridade. As promessas feitas durante a campanha também estarão sob escrutínio. Melhorias na renda, geração de empregos, ampliação das políticas sociais e avanços na qualidade de vida precisarão sair do discurso e chegar à realidade das famílias brasileiras, independente de renda ou ideologia. Tudo isso em meio às limitações fiscais já existentes e à necessidade de preservar a estabilidade econômica Seria ingenuidade, portanto, subestimar o tamanho da tarefa.

Mas ao mesmo tempo em que todos esses desafios se impõem, seria igualmente equivocado menosprezar o poder de Lula de lidar com cenários adversos. Sua trajetória política é marcada pela resiliência, pela capacidade de superar adversidades e pela habilidade de se reinventar quando muitos já o consideravam acabado. Da origem humilde à liderança sindical, da chegada inédita à Presidência às crises que ameaçaram sua carreira, Lula construiu história de resistência poucas vezes vista na política brasileira e até mundial. A vitória agora obtida acrescenta somente novo capítulo a essa trajetória de obstáculos vencidos.

Não se trata apenas de vencer eleição apertada, mas de voltar a conquistar a confiança da maioria dos votantes depois de tantos embates, acusações, rupturas e mudanças no cenário político nacional. Lula sabe que o prestígio conquistado nas urnas não garante governabilidade, assim como a experiência acumulada não elimina erros nem substitui resultados. Seu maior desafio será transformar a força simbólica de sua vitória em entregas concretas para a população. O futuro governo será difícil, sem dúvida. A oposição estará mobilizada, o Congresso será exigente e a sociedade continuará dividida. Mas quem conhece a história de Lula sabe que descartá-lo prematuramente é um erro recorrente.

A reeleição de um presidente que já atravessou tantos momentos de ascensão e queda é um daqueles feitos aos quais a história precisa se render. O desafio, agora, é fazer com que essa vitória não seja apenas extraordinária como acontecimento político, mas também relevante pelos resultados que deixará ao país uma pessoa que escapou da seca, da pobreza, do câncer, de uma prisão, e ainda consegue com mais de 80 anos, ser o líder de uma nação que tanto confia nele.

*Luiz Henrique Campos

Jornalista, psicólogo e titular da coluna “Fora das 4 Linhas”.             

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