“O Brasil disse não ao risco de uma sociedade distópica e ao rato fujão” – Por Francisco Bezerra

Francisco Bezerra é jornalista, radialista escritor.

Com o título “O Brasil disse não ao risco de uma sociedade distópica e ao rato fujão”, eis arftigo de Francisco Bezerra, jornalista, radialista e escritor. “Por muito pouco, muito pouco mesmo nosso país não foi parar nas mão do miliciano Flávio Bolsonaro. Uma sequência de governos de extrema direita levariam a nação a uma sociedade distópica”, expõe o articulista.

(“Até que não tenham consciência de sua força, não se rebelarão, e até depois de se rebelarem, não serão conscientes. Esse é o problema.” – frase do livro 1984 de George Worell)

Confira:

Para quem gosta de literatura como eu, cai sempre no cacoete de analisar o real pela ficção, ou pelo menos levar em consideração as “premunições” dos escritores universais. Eles são uma espécie de Oráculo de Delfos, vates que antecipam o futuro da humanidade. Há várias obras literárias que abordam, de forma pessimista, este amanhã apontando para uma sociedade distópica (o termo vem do grego dys = mau, ruim; topos = lugar e significa “lugar ruim”), uma sociedade ou mundo imaginário – geralmente no futuro – onde a opressão, o sofrimento, a injustiça e a perda das liberdades individuais são a forma de controle social.

O pioneiro neste tipo de gênero literário foi o escritor britânico H.G. Wells com duas grandes obras: A Máquina do Tempo (1895), frequentemente classificada como uma obra pioneira da literatura distópica, e A Guerra dos Mundos (1898), esta primariamente considerada um romance de ficção científica e invasão alienígena, embora traga fortes críticas sociais que se aproximam do tom sombrio das distopias. O escritor russo Evgéni Zamiátin lança em 1924 o livro Nós, uma ficção ambientada em um império de vidro e números onde a individualidade é anulada. A obra citada influenciou os romances Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell e Anthem, de Ayn Rand.

O livro de Anthony Burges foi levado à telona com a direção de Stanley Kubrick e chocou o mundo do cinema ao mostrar sem meio termo ou eufemismo, que a arte pode ensejar, uma Grã-Bretanha futurista marcada por características típicas de distopias. Na Câmera de Kubrick, grupos de jovens comandados pelo protagonista Alex De Large e seus “droogso” espalham o caos, espancamentos e terror nas ruas e
residências sem que o estado conseguisse conter a criminalidade de forma orgânica. Nesta sociedade distópica há proibição do pensamento crítico, censura e punição para quem questiona as regras ou o sistema. A sociedade vive sob escassez, medo, colapso ambiental, desagregação social ou divisão rígida de classes. Na literatura e no cinema, as distopias acendem um alerta para o perigo de regimes autoritários e opressores que caracterizam os governos de extrema direita.

A analogia pode perfeitamente ser feita pelo modus operandi do Bolsonarismo. O pai, em quatro anos, demonstrou que o caminho do Brasil seria a de um Estado distópico. Jair Bolsonaro governou com uma política externa submissa aos interesses dos Estados Unidos. Internamente a tragédia foi maior ainda. Por puro negacionismo, o desgoverno Bolsonaro levou mais de 700 mil brasileiros à morte. Os programas sociais foram suprimidos o que fez com que o Brasil voltasse ao mapa da fome. As imagens funestas de pobres disputando comida na fila do osso chocaram o mundo. Cortes brutais na educação levaram à inanição as universidades públicas e os institutos federais. O programa Minha Casa, Minha vida sumiu do orçamento da União. O horror à cultura por parte de Bolsonaro nos fez lembrar dos regimes nazifascistas
comandados por Mussolini e Hitler.

Por muito pouco, muito pouco mesmo nosso país não foi parar nas mão do miliciano Flávio Bolsonaro. Uma sequência de governos de extrema direita levariam a nação a uma sociedade distópica. Um susto dado no primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro apareceu à frente de Lula, fez a nação entrar em transe. Entre 4 de outubro e 25 do mesmo mês, data da eleição em segundo turno, houve uma mudança radical na condução da campanha do PT, que tirou o petismo burocrático e atrasado de São Paulo e abriu alas para um herói improvável chamado Janones que foi o arco e o povo, sobretudo a juventude, a flecha que derrotou o bolsonarismo. Bolsonarismo que é, sem sombra de dúvidas, um braço do crime organizado nas instituições republicanas. Redes e ruas livraram o Brasil de um destino trágico. O deputado Janones
desmontou a máquina das big techs por dentro com seu exército de quase 11 milhões de soldados e esmagou a usina de fake news que são as redes bolsonaristas. Lula derrotou a elite brasileira, a grande imprensa nacional e internacional, o governo Trump, as big techs, a extrema direita e a violência do bolsonarismo que espalhou terror em todos os cantos do país durante o processo eleitoral.

Como o Brasil é um país de cenas fortes e roteiros surpreendentes, nesta terça-feira o gangster Flávio Bolsonaro, o rato fujão, empreendeu fuga para os Estados Unidos com o apoio luxuoso da equipe barrapesada do “Laranjão.” Na segunda, o ministro Alexandre de Moraes tinha determinado a apreensão dopassaporte do lombroso senador e o proibiu de deixar o país. O vexame ganhou dimensão internacional
com o protagonismo da familícia e os escroques que hoje governam as terras do Tio Sam.

Não dá para terminar este artigo, amigos, sem denunciar mais uma vez a cumplicidade criminosa da mídia hegemônica comandada pelo sistema Globo de Comunicação. Ela, ao longo de pelo menos 30 anos, cumpriu com excelência o seu papel de estigmatização do PT e dos petistas, que passaram a ser tratados como responsáveis por todos os males do país – o inimigo interno que precisava ser aniquilado. Como se sabe, à farta, os grandes meios de comunicação elegeram um inimigo comum a ser perseguido, combatido e exterminado. Esta foi a estratégia da maquinaria da imprensa que abriu caminho para o fascismo sair do armário usando a etiqueta do bolsonarismo.

Se a mídia hegemônica tivesse o mínimo respeito pelo ser humano Lula e pela liturgia do cargo que ele ocupa, certamente não teríamos corrido o perigo de entregar o país ao fascismo corrupto e autoritário. Flávio eleito seria a assunção do crime organizado à frente da chefia da nação. Um estadista como Lula, de prestígio internacional, ser submetido à máxima humilhação de debater e disputar a eleição contra um
gangster do nível de um Al Capone foi terrível.

“O PT sempre governou em ambientes de guerra permanente da mídia dominante, que abdicou de formas de cobertura crítica, isenta e equilibrada para adotar como linha editorial o denuncismo leviano e a estratégia de destruição da reputação de Lula e do PT associado-os à corrupção. A baixa taxa de aprovação do atual governo Lula é, em alguma medida, consequência disso,” este trecho fiz questão de pinçar de um artigo do jornalista gaúcho Jeferson Miola publicado ontem. “A grotesca equivalência entre o PT e o PL, entre o petismo e o bolsonarismo, entre Lula e os gângsteres Bolsonaro não é só expressão de anti-jornalismo, mas significa uma escolha criminosa que deforma a realidade para manipular a opinião pública,” sentenciou ainda o Miola.

Aqui no cearazinho de açúcar foi colocada uma pá de cal no cirismo despudorado e envergonhado pelo papelão que o seu líder maior desempenhou na eleição em nosso estado. Ciro Gomes foi para o buraco e levou com ele o submisso e incoerente Roberto Cládio, o oportunista Capitão Wagner et caterva. Como urna não é pinico, o eleitor não sufragou o nome de José Sarto para a Câmara Federal, de longe o pior prefeito da história de Fortaleza. E vamos pra frente que atrás vem gente.

*Francisco Bezerra

Jornalista, radialista e escritor.

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