“Muitos foram presos, torturados, exilados ou assassinados. Outros, graças à inteligência e à capacidade de avaliar os riscos, conseguiram escapar das garras de seus perseguidores”, aponta o jornalista e poeta Barros Alves
Confira:
Flávio Bolsonaro fugiu como um covarde, tronitoam vozes maldosas que vão aos poucos cevando uma ditadura de toga no Brasil. Essas vozes sucumbem diante de verdades insofismáveis que escancaram os atos imediatos e ilegais de perseguição política ao candidato à presidência da República laureado com dezenas de milhões de votos.
Ser líder exige inteligência, sagacidade e coragem para permanecer livre e vivo. Ser líder não significa apenas ter coragem para enfrentar os poderosos, denunciar injustiças ou levantar a voz em defesa dos oprimidos. Ser líder exige também inteligência para compreender a realidade, sagacidade para antecipar os perigos e prudência para reconhecer o momento certo de agir. Afinal, de que vale a coragem daquele que, por imprudência, se deixa silenciar antes de cumprir sua missão?
A História está repleta de homens e mulheres que, movidos por ideais de justiça e liberdade, enfrentaram regimes autoritários, desafiaram tiranias e pagaram um preço elevado por sua ousadia. Muitos foram presos, torturados, exilados ou assassinados. Outros, graças à inteligência e à capacidade de avaliar os riscos, conseguiram escapar das garras de seus perseguidores, preservando a própria vida para continuar a luta.
A liberdade exige coragem, mas também lucidez. A coragem nos impulsiona a lutar; a inteligência nos ensina como lutar; e a prudência nos ajuda a permanecer vivos para que a luta não termine conosco.
Não se trata de covardia, muito menos de renunciar aos próprios princípios. Trata-se de compreender que um ideal não deve ser sacrificado no altar da imprudência. Há momentos em que avançar é necessário; em outros, recuar estrategicamente é a única maneira de continuar avançando no futuro. O líder verdadeiramente comprometido com uma causa sabe distinguir a bravura do gesto inconsequente e o sacrifício necessário da morte inútil.
Permanecer livre é resistir à submissão. Permanecer vivo, quando a vida é ameaçada pela tirania, é preservar a possibilidade de continuar combatendo. Porque os ideais de justiça e liberdade não pertencem apenas aos que tombam em sua defesa, mas também aos que sobrevivem para testemunhar, denunciar, reconstruir e vencer.
O verdadeiro líder não luta para morrer pela liberdade; luta para que a liberdade possa viver. E, quando as circunstâncias exigem, sabe proteger a própria vida sem abdicar da própria consciência.
Afinal, enquanto houver vida, haverá esperança; enquanto houver esperança, haverá resistência; e enquanto houver homens dispostos a defender a verdade, a justiça e a liberdade, nenhuma tirania poderá considerar definitiva a sua vitória.
Barros Alves é jornalista e poeta