“Será possível uma revolução pelo voto?” – Por João Alfredo

João Alfredo é titular do Idace. Foto: Reprodução/YouTube/podcastblogdoeliomar

“Não podemos baixar a guarda; a composição extremamente conservadora do Congresso Nacional está aí para nos alertar”, aponta o advogado e professor João Alfredo

Confira:

Nem parece que foi há uma semana!

Nem parece que vivemos, em três semanas, uma aceleração no tempo de nossas vidas que produziu a mais surpreendente virada eleitoral de nossa história!

Ainda estamos processando uma vitória que causou espanto no mundo, derrotou o imperialismo e o sionismo, Trump e Netanyahu, Kassio e André, as big techs e as bets e produziu a vergonhosa fuga (com apoio dos governos dos EUA, Argentina e Israel) do candidato derrotado da extrema direita, enrolado até o pescoço com escândalos de corrupção de proporções estratosféricas.

Hoje, Lula e o L feito com o indicador e o polegar inspiram manifestações e campanhas eleitorais nos quatro quadrantes do planeta, demonstrando a força da mobilização popular que uniu as multidões nas ruas e uma inteligente e potente utilização das redes virtuais (o Exército de Lula, que, sob o comando de Janones, juntou mais de 10 milhões de pessoas!).

Ficou provado: não há contradição entre rua e rede; antes pelo contrário, elas podem se retroalimentar a partir de uma causa que possa juntar e pôr em marcha multidões.

Conhecedores das dinâmicas do mundo virtual e experimentados em mobilizações sociais, foram especialmente os jovens que animaram esses processos; mas, também, foram as imagens de idosos comparecendo às urnas que comoveram todo o mundo.

Jovens e idosos, mulheres e nordestinos, povos originários e as populações das periferias (geográficas e existenciais), trabalhadores de todas as categorias se mobilizaram para derrotar o neofascismo e tudo o que ele representa de nefasto, desumano, retrógrado, injusto, preconceituoso e violento.

E assim afirmar a Soberania e a Democracia e a força do amor e da solidariedade, materializada nas melhores políticas públicas de inclusão, justiça social e cidadania, representadas por essa figura absolutamente extraordinária que é Luís Inácio Lula da Silva.

Comemoremos, nos alegremos com essa belíssima jornada vitoriosa! Afinal, somos merecedores!

Porém, não podemos baixar a guarda; a composição extremamente conservadora do Congresso Nacional está aí para nos alertar (sem falar na mídia hegemônica e em outros aparatos de poder politico, econômico cultural).

Lula ousou muito, especialmente, no segundo turno, enfrentando adversários poderosos, bancando pautas absolutamente justas e populares: fim das bets, fim da escala 6×1, passe livre aos finais de semana. E ainda ampliou em seu discurso da vitória, em temas fundamentais para a educação pública, como a universalização do ensino em tempo integral e a política de assistência estudantil.

Ali, frente à multidão na Paulista, Lula – atento à revolução produzida pelas ruas e pelas redes – prometeu governar com o povo, criando mecanismos de consulta e participação popular, na inflexão mais à esquerda desde o seu primeiro governo, iniciado em 2003.

Aqui, pode estar a chave para, mais uma vez, governar em minoria, mas, tendo que enfrentar uma extrema direita ainda mais robusta no parlamento. Não que o quarto governo Lula não tenha que dialogar e negociar com a centro-direita (até para isolar a extrema direita reacionária), mas, a legitimidade alcançada nas eleições e a continuidade de seu/nosso exército, repito, nas ruas e nas redes, podem lhe dar força para uma gestão ainda mais voltada para atender as mais justas, necessárias e legítimas reivindicações da classe trabalhadora, dos povos e comunidades tradicionais, da juventude, das mulheres, das LGBTs, das periferias urbanas, dos sem terra, do povo brasileiro.

É esse o desafio que está colocado não só para Lula, mas, para todos nós! Estejamos à altura dele! Sigamos juntos e mobilizados!

João Alfredo Telles Melo
Advogado, professor, atual superintendente do IDACE e ex-parlamentar (vereador, deputado estadual e deputado federal) pelo PT e pelo PSOL.

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