“O deputado eleito, com suas limitações evidentes, vê o HGF com superlotação e mortes. Sempre vi a superlotação nas unidades do SUS com esperança e vida”, aponta o jornalista Nicolau Araújo
Confira:
Quando eleito deputado estadual, em 2018, com quase 110 mil votos, o mais votado para a 28ª legislatura e o mais novo parlamentar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), então aos 22 anos, André Fernandes pagou pela pouca idade, quando quase teve o mandato cassado por injúria e calúnia, ao ser suspenso por 30 dias, depois que acusou um parlamentar de integrar uma facção criminosa, sem apresentar provas ou apontar um inquérito policial em curso.
Antes, o jovem parlamentar cometeu a prática de nepotismo, ao acreditar que poderia fazer o que quisesse com o mandato e nomeou como assessores o cunhado e um tio. Em acordo com o Ministério Público, pagou multa e exonerou os parentes.
Mesmo com um mandato tumultuado e infrutífero, André conseguiu lacrar nas redes sociais e apostou com sucesso em um eleitorado despolitizado, que lhe conduziu ao primeiro mandato de deputado federal, além da eleição do pai Alcides para o seu lugar na Alece.
Assim como o filho, Alcides beirou ser representado no Conselho de Ética ao discursar sobre o envolvimento de políticos com o crime organizado e propor uma CPI do Narcotráfico, mesmo sem apresentar nomes ou ocorrências. Ao perceber que não seria o dono da verdade, assim quando se faz pastor no altar de sua igreja, engoliu suas palavras e segue igualmente com um mandato infrutífero, até o fim deste ano.
Com uma inteligência privilegiada, André percebeu que o pai em nada colaborou para um engajamento de suas redes sociais, além de exercer uma incômoda hierarquia familiar. E foi assim que o filho convenceu o pai a disputar o Senado, mesmo sem qualquer chance de alcançar uma das duas cadeiras, e deixar o caminho aberto para promover os seus: Tancredo dos Santos e Abreu Junior. Como consolo, Alcides deverá gerenciar os dois mandatos na Alece, com o controle dos discursos e formação dos gabinetes.
André falhou como deputado estadual, Alcides falhou como deputado estadual e Tancredo e Abreu já sinalizam ao fracasso, mas se dispõem ao engajamento nas redes de André, antes mesmo de suas diplomações.
Tancredo e Abreu antagonizaram nesta semana um festival de trapalhadas sobre os trâmites na Alece, Lei Orçamentária Anual e atendimento de emergência no HGF.
Tancredo acusou de forma leviana a Mesa Diretora da Alece de fraude em assinaturas em requerimento de título de cidadania, sem o mínimo cuidado de um estudo sobre os processos legislativos. O que seria uma denúncia, acabou como um atestado de deficiência em formação cultural e moral. E ainda xingou um dos homenageados pela prática de “rachadinha”, ao omitir a causa de seu rompimento com o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, quando exerce o mandato de vereador do município da Região Metropolitana de Fortaleza até a sua diplomação de deputado. Traído por sua pouca instrução, Tancredo acabou expondo na tribuna a própria esposa em “cargo fantasma” na Prefeitura. Ao tomar conhecimento da situação, Naumi cobrou a exoneração na Secretaria da Saúde.
Já o autodeclarado “influencer” mostrou um despreparo do cargo que irá exercer a partir de janeiro, quando acusou o governador Elmano de “doar” (investimento) R$ 2,5 milhões na divulgação da cultura do Ceará, por meio da vitrine do Carnaval do Rio de Janeiro, o maior do mundo. Para o deputado eleito, sem o menor conhecimento de orçamento, o governador deveria cometer crime de improbidade administrativa, quando deveria desviar o recurso da cultura para o HGF, onde, segundo Abreu, as pessoas estariam morrendo nas filas e na superlotação.
E é na superlotação no atendimento do HGF que acontece mais uma desqualificação do deputado eleito. Sou usuário do sistema público (transporte, saúde e educação, principalmente) e estive no HGF na terça-feira (3), na busca de atendimento para a esposa, em crise renal. É mentira as mortes citadas pelo deputado eleito, apesar da superlotação.
Antes, na noite anterior, na UPA da Praia do Futuro, conseguimos exames de urina e sangue. O atendimento particular com o urologista (R$ 600 a consulta), somente havia horário para a quinta-feira (5). Os exames do SUS apontaram a infecção bacteriana e o medicamento inicial evitou o agravamento do quadro, segundo o urologista.
Foi o SUS que evitou um possível quadro de infecção generalizada, reforçado por um atendimento particular, quando há muito os planos de saúde não disponibilizam atendimento especializado em casos que não aparentam emergência.
O deputado eleito, com suas limitações evidentes, vê o HGF com superlotação e mortes. Sempre vi a superlotação nas unidades do SUS com esperança e vida.
André Fernandes poderia deixar de pensar menos no engajamento de suas redes sociais e ser mais grato com a população na oferta de políticos de seu grupo…
Nicolau Araújo é jornalista pela Universidade Federal do Ceará, especialista em Marketing Político e com passagens pelo O POVO, DN e O Globo, além de assessorias no Senado, Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, coordenador na Prefeitura de Maracanaú, coordenador na Câmara Municipal de Fortaleza e consultorias parlamentares. Também acumula títulos no xadrez estudantil, universitário e estadual de Rápido