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“Escola versus igreja”

Miguel Paiva é chargista e jornalista

“Infelizmente a educação não traz votos. Traz progresso com o tempo, mas não votos”, aponta o chargista e jornalista Miguel Paiva. Confira:

Um dos grandes méritos do saudoso Leonel Brizola, politico gaúcho, ex-governador tanto do Rio Grande do Sul quando do Rio de Janeiro era a dedicação à educação como única forma de livrar a população do subdesenvolvimento. A parceria com Darcy Ribeiro, outro político e educador foi fundamental pra isso. Juntos criaram os CIEPS, Centro integrado de Educação Pública que revolucionou o sistema de escolas no Rio. Até hoje quase todos funcionam e mesmo não seguindo mais as normas da época deixaram marcado o quanto foram importantes.

Infelizmente a educação não traz votos. Traz progresso com o tempo, mas não votos. Por isso os políticos investem pouco nela. Na Europa onde muitos países atingiram um bom nível de desenvolvimento humano, a educação foi determinante. Não há como você desenvolver um país sem dar educação para o povo.

Por isso a extrema direita é contra a educação. Não quer um povo que pense. Não quer um povo que saiba. Além de representar a ausência do estado enfatiza o espaço deixado para outras instituições ocuparem. A igreja neopentecostal, por exemplo. Diante do mistério da vida e da pergunta “o que estamos fazendo aqui?” a resposta é arriscada justamente pelas igrejas. Um povo que estuda até faz essa pergunta, mas tenta descobrir através da educação caminhos para entender este mistério. Quem não estuda aceita a primeira explicação que surge e em muitos casos acaba pagando por essa dica.

Nas igrejas católicas o mistério é dado como dogma e você aceita estar aqui para a glória de deus. Apesar da História contribuir para a imagem negativa desta igreja hoje eles não são conhecidos por extrair dinheiro dos fiéis. Também não extraem mais fidelidade e fé do que as igrejas neopentecostais. A postura diante do mistério é a mesma, mas as atitudes diferem. As igrejas evangélicas tentam dar um suporte meio cabreiro para esta dúvida, mas acabam cobrando caro por soluções inventadas de salvação que seriam facilmente questionadas por um povo educado. Como educação não há, eles vão ocupando corações e mentes.

E assim vão pavimentando o caminho para a exploração, mau uso da fé, extorsão e falsidade ideológica ao depender sua salvação da contribuição monetária de um povo que já não tem muito. Manter esse povo na desinformação acaba virando um propósito não só aqui no Brasil, mas no mundo todo. Nos países onde a direita se expande não vemos grandes investimentos na educação. Tudo bem que é um povo já meio educado até por tradição e é também claro que mesmo dentro deste povo educado existem pessoas à direita e até à extrema direita. Mas eles são suficientemente inteligentes para saber que o que querem só virá com a total falta de educação para o povo. Esse ensinamento eles aprenderam e querem usar a seu favor. A questão então não é mais de educação e sim ideológica. Aí, a luta é outra, mas a escola é munição, sempre.

Miguel Paiva é chargista e jornalista

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