“A Alma e a Vocação Política da Baixada Fluminense” – Por Paulo Elpídio de Menezes Neto

Paulo Elpídio de Menezes Neto é cientista político e ex-reitor da UFC. Foto: Divulgação

Com o título “A Alma e a Vocação Política da Baixada Fluminense”, eis artigo de Paulo Elpídio de Menezes Neto, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará. [Tropos de uma sedutora geografia afetiva ou de como nos tornamos, todos, indiscriminadamente “cariocas”]

“Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar e trucidar, Meu coracão fecha os olhos e sinceramente chora”, Chico Buarque -“Fado Tropical”, 1973

Confira:

No Rio de Janeiro, a Baixada Fluminense é uma espécie de catarse política que se perde na noite da nossa história republicana. Mal comparando, foi a “polis”, forte embrião político, que conseguimos gerar desde o desembarque de um Regente em apuros de governo, e de sua mãe Maria, perdida nas vascas do esquecimento, em fuga desabalada em frete bancado pelo Rei Jorge III, da Inglaterra. Este, dizem alguns cronistas, de sua parte, carente de juízo…

O “carioca” traz consigo a denominação criada pelas nossas populações originárias. Da beleza, entretanto, não predominaram os sinais da etnia precursora, mas traços e a cor que faz de mulheres e homens exemplo único de beleza, com cheiro e cravo de canela, nindis d’África…Demos-lhes o tratamento cordial e o nomeamos como categoria humana (o “brasileiro cordial” de SBH) divertida, alegre e tropicalmente marcada pela sedução irresistível de uma irresponsável e deliciosa afetividade.

De Estácio de Sá a esta data [à parte algumas poucas, pouquíssimas exceções, Paulo de Frontin e Carlos Lacerda, ouso mencionar] não temos porque nos orgulharmos de prefeitos ou governadores convicados para a árdua tarefa de governar os cariocas. Trazem todos a marca metafórica, porém indelével do carimbo “made na Baixada”.

Não há porque derramar lágrimas democráticas pela saída desse senhor Castro, assim como explicar porque o povo carioca o elegeu seu governador…

Mal saído, já foi “nomeado” o seu sucessor, um jovem e perseverante candidato, sobrevivente de todos os governos e alianças, nestas três últimas décadas…

É do feitio do carioca essa queda festeira pela politica, pelo carnaval, pelo futebol e pelo “jogo-do-bicho”como pela pobreza… Agora, pelo viés romântico do tráfico, do “amor-bandido”, à moda Robin Wood, em franco pricesdo de descriminização.

Por que se haveria de interromper estraço cultural que encanta o mundo e nos enche de orgulho?

*Paulo Elpídio de Menezes Neto

Cientista político e ex-reitor da Universidade Federal do Ceará.

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