“A Alma Encantadora de Fortaleza” – Por Mirelle Costa

Agradeço imensamente ao professor Cavalcante Júnior por este incrível presente. Eu, infelizmente, não consegui participar da coletânea, mas essa obra histórica me leu em diversas passagens

Na semana passada, falei sobre a publicação “Fortaleza Amada”, da Editora UFC, uma homenagem aos trezentos anos da nossa capital alencarina merece mais de uma publicação na minha coluna.

Escritores que leio e admiro, amigos queridos e autores estreantes estão reunidos em uma obra histórica.

A escritora Cláudia Melo conta que, quando criança, andava com a mãe no centro da cidade e achava os prédios históricos tão lindos que perguntava a história de cada um deles boquiaberta. “Minha crônica se reporta ao centro da cidade, especialmente à Academia Cearense de Letras e a Casa Juvenal Galeno. Frequentava a Igreja do Patrocínio e olhava o teatro com muita admiração. Falei sobre esse olhar afetivo de criança”, emociona-se a autora da crônica “Fortaleza Enamorada: Tessitura de Afetos”, escritora que é membro do coletivo Lamparinas e que comemora um momento importante de colheita. Agora é doutoranda do Programa de Literatura e Crítica Literária da PUC SP.

Escrever crônicas é um prazeroso exercício para a escritora, que já participou de três coletâneas da Academia Feminina de Letras do Ceará, Afelce, com a Rede Sem Fronteiras e da Editora Sol Literário, a qual foi premiada.

Blog do Eliomar

Falando em escrever crônicas, aprendi a fazê-las nas aulas de jornalismo ministradas pelo meu querido professor Ronaldo Salgado. Mentor de tantos milhares de ex-alunos que, assim como eu, tiveram a honra de exercitar o Flanêur perambulante pelo centro da cidade, sempre tendo como ponto de partida a obra do grande cronista João do Rio, autor da obra “A alma encantadora das Ruas”. “Participar do livro Fortaleza amada, publicação da Editora UFC em homenagem aos trezentos anos da capital alencarina, é uma honra, um prazer, uma dádiva. Afinal, sou cronista invisível nesta Fortaleza tão repleta de cronistas de ofício. Fiz um texto emotivo, afetivo, homenageiro, que, ao louvar Fortaleza, relembra vários cronistas, poetas, músicos, artistas cujas relações com a cidade são intrínsecas, potentes, afetuosas e de capital importância para conhecer a cidade do passado, do presente e do futuro. A UFC dá um presente aos fortalezenses com essa teia de construções textuais que revelam não só a história e a memória da cidade, mas uma geografia humana e literária muito significativa”, explica Ronaldo Salgado, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, autor da crônica “Fortaleza, o que tu és?”.

Blog do Eliomar
Estou gravando um podcast Especial Fortaleza Amada. Na foto, eu, a escritora Íris Cavalcante e o professor e cronista, Ronaldo Salgado

Entre os autores, também estão o médico otorrinolaringologista Daniel Pinheiro e seu pai, o professor Luciano Pinheiro, Professor Emérito da Faculdade de Medicina da UFC. “O processo de escrita de “Domingo na Beira-Mar” nasceu de uma tensão que me é familiar: a dificuldade de me desligar da medicina, mesmo em um domingo. A frase de William Osler: “a medicina é uma amante ciumenta”, surgiu quase espontaneamente, como síntese desse conflito entre o chamado constante da profissão e a necessidade de estar presente na cidade, no tempo livre, na vida comum. A crônica foi construída a partir da observação direta. Caminhar pela Beira-Mar, perceber os diferentes ritmos, as pessoas, o ambiente democrático do calçadão, foi determinante para o texto. Inserida em “Fortaleza Amada”, a crônica representa minha forma de homenagear a cidade: não pelo extraordinário, mas pelo domingo comum, vivido, observado e reconhecido como parte essencial da identidade de nossa cidade”, emociona-se o médico.

Blog do Eliomar
O professor Luciano Pinheiro, Professor Emérito da Faculdade de Medicina da UFC e seu filho médico otorrinolaringologista Daniel Pinheiro

Luciano Pinheiro é autor da crônica “O Jantar voador” e Daniel Pinheiro escreveu “Domingo na Beira Mar”.

O vencedor do Jabuti em 2018, na categoria Livro do Ano e Poesia, também fez questão de celebrar a capital cearense. Mailson Furtado destacou como a generosa Fortaleza do centro da cidade o acolheu e nunca saiu de dentro dele. “O livro Fortaleza Amada, creio que é um marco para esta data marcante de celebração do tricentenário de Fortaleza. É uma alegria imensa participar dessa multidão de vozes mais de 160 autores e autoras a contarem um tantinho desta cidade única do mundo. E mais simbólico ainda quando isto vem de dentro da Universidade, que através de um projeto como esse, transpassa os limites da instituição e chega a uma multidão de gente que precisa tocar. Um viva ao Fortaleza Amada. Viva Fortaleza e seus trezentos anos”, conta Mailson Furtado.

Blog do Eliomar

A acolhida também foi destacada pela jornalista e escritora Kelly Garcia, que mora em Caucaia, mas que foi recebida pela Fortaleza do Bom Jardim, lugar onde parte de sua família residia quando ela era criança. Em “Fortaleza Amada”, ela assina a crônica “Meu jardim secreto com muriçocas e retalhos de lingerie”. Fortaleza me acolhe de um jeito único a cada vez que adentro seus caminhos. Digo isso porque não moro nela. É uma cidade minha por escolha. Nela, amo, passeio, abraço, trabalho e me inspiro para escrever, desde antes do meu livro de estreia, o Cidades Invisíveis. Estar em uma coletânea que a homenageia é retribuir tudo o que recebi. É uma honra e um incentivo para seguir adiante como escritora e cronista”, conta Kelly Garcia, autora de “Cidades Invisíveis”, livro que retrata, também em formato de crônicas, a Fortaleza antiga romântica entre a italiana Pierina Rossi com Plácido de Carvalho e depois, com Emílio Hinko até os locais mais recentes que fizeram parte da história de muita gente mais contemporânea, como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a Ponte dos Ingleses, o Iguatemi e o Centro Cultural Banco do Nordeste. Esses últimos, cenários das histórias de amor de muitos adolescentes dos anos 1990, inclusive as da autora.

Blog do Eliomar
Kelly Garcia, uma das cronistas na obra “Fortaleza Amada” e autora de “Cidades Invisíveis”

Para nós, fortalezenses, a obra “Fortaleza Amada” é uma manifestação do amor genuíno pela capital cearense. Aquele amor amadurecido, sabe? Que enxerga os defeitos, acolhe as limitações, mas vê com muito sentimento de pertença tudo o que nos une e nos representa. “Fortaleza é amante e tem a fama de acolher muito bem a todos, residentes ou visitantes. Mas o desejo do amante é ser amado. Fortaleza também quer ser amada. Essa foi a inspiração para o projeto editorial que resultou no livro “Fortaleza Amada”, a obra de quem atendeu ao convite e dedicou laudas de amor – doce ou amargo, mas sempre muito verdadeiro – à cidade onde inevitavelmente estamos imersos e da qual somos escritores por meio do fervilhar cotidiano. Esperamos, portanto, que, pelo convite amante que Fortaleza nos dirige, a cidade se ofereça como objeto do exercício amoroso de nós todos, a cidade como anteparo sem o qual nós não nos emanciparíamos maiores, livres, autônomos – não como Kant, pela razão, mas como Platão, pelo amor. Ansiamos que este livro ajude leitoras e leitores a encontrar mais amor, beleza e prazeres em Fortaleza. E que ela seja gentil com essa gente que a ama”, explica Francisco Silva Cavalcante Junior, organizador da publicação e autor da crônica “O doce-amargo de Fortaleza”.

Blog do Eliomar
A escritora, professora e vice-diretora e editora adjunta na Editora UFC, Juliana Diniz, e Cavalcante Júnior, professor, organizador da publicação e diretor da Editora UFC

A minha Fortaleza é a da Varjota, do Mucuripe com seu grupo brincante de reisado que todo dia 6 de janeiro passava na esquina lá de casa. É a Fortaleza das cafeterias gostosas, do calçadão da Beira Mar, do Benfica tão amado e vivenciado nos meus tempos de CH2, quando eu pegava o Siqueira Papicu Via Treze de Maio lotado e obrigava (aos empurrões) os que estavam sentados a carregar minhas dezenas de folhas de xerox. Uma menina cheia de sonhos que já carregava, em si, uma Fortaleza, e nem sabia disso. Também amo a Fortaleza que o jornalismo, duramente, me apresentou. A das ruelas, dos becos e das urgências que gritam. A Fortaleza das necessidades desnudou-se para mim sem nenhum constrangimento e eu a acolhi, acolho-a todos os dias, tanto que estou gravando um podcast Especial Fortaleza Amada. Acompanhe pelo Youtube Cafezim com Literatura.

O livro “Fortaleza Amada” já está disponível para compra individual, assim como o Planner Fortaleza Amada 2026, criado para acompanhar o cotidiano com a memória e o imaginário da cidade sempre por perto. Escolha como viver essa experiência: leitura, planejamento ou os dois. Compre pelo WhatsApp da Editora UFC.

COMPARTILHE:
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Notícias